Editorial Zero Hora
Causou boa impressão o pronunciamento do governador José Ivo Sartori na abertura do 28º Fórum da Liberdade, na última segunda-feira, em Porto Alegre. Depois de destacar a importância do debate plural de ideias, característica do evento organizado anualmente pelo Instituto de Estudos Empresariais, o chefe do Executivo gaúcho defendeu um Estado menor, o equilíbrio das contas públicas, a busca de parcerias com a iniciativa privada e o redirecionamento das políticas públicas para as atividades essenciais. Ao reconhecer o esgotamento de práticas administrativas e de modelos de representatividade política, e garantir que tem dito à sua equipe que, “quando o Estado não puder ajudar, pelo menos que não atrapalhe”, o governador foi aplaudido reiteradamente pelo público, formado predominantemente por empresários, executivos e estudantes.
Pena que a prática do governo, nestes primeiros três meses, ainda esteja distante dos conceitos defendidos no pronunciamento e que coincidem com o pensamento de quem produz e trabalha por um Rio Grande melhor. O discurso do governador contrasta com o ritmo do seu governo e com algumas ações incoerentes, como a acomodação de políticos da base aliada em diretorias de estatais, algumas de pouca utilidade para a sociedade, ou a timidez no enfrentamento de reformas estruturais indispensáveis para a superação da crise.
Se o Estado mostra-se fraco onde sua presença é essencial e excessivo onde poderia estar ausente, como afirmou o próprio governador, cabe a ele dar consistência a essa conclusão e promover as transformações necessárias. No discurso, o senhor José Ivo Sartori já parece estar sintonizado com as expectativas dos gaúchos. Se levar tais ideias à prática, certamente receberá o reconhecimento de todos.
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