sábado, 18 de abril de 2015

" Sujeito (A ) Quem ?

Artigo Zero Hora


GUILHERME BACCHIN
Estudante

Quanto mais passam os anos e danos, e esse grande ferimento contra nosso país parece institucionalizar-se, os grandes condenados não são os corruptos, somos nós. 

Eu, tu, eles, de um sujeito que os tempos modernos sugerem cada vez menos passividade a sua oração. Youssef disse que a corrupção foi facilitada pela construção política do país. Mas isso não é do hoje, do ontem. É do além sempre. Essa construção superavitária de si foi construída por ela mesma. Existe algum grande Cristo que hoje colocaríamos na cruz, para pagar os pecados e dinheiro público que nos foi lesionado? Não há. 

Como disse Verissimo, não há poesia que nos sustente neste momento. Vamos todos ser poetas e fingidores, como o imortal Pessoa, e tentar a fingir o que já sentimos?

Não somos sujeitos neste país. Estamos sujeitos. A insegurança, aos faturamentos públicos, aos déficits morais. Nem mais o Brasil é sujeito de si mesmo. Disse Garcia Lorca, “o impossível feito possível”. E aqui o fizemos. A corrupção é a grande ação pública deste país. 

É o nosso grande progresso ante o tempo-espaço, e o esquecimento de nossa história. Mas não há como personificá-la. Temos como personificar o Estado como corrupto. Mas atribuições individuais, subjetividades, partidos, é o mesmo que falar num empolamento lírico que somos cegos, e então conseguimos ver a escuridão. E até a escuridão neste país foi institucionalizada. A corrupção parece ter uma própria utopia de ação. Seríamos nós a antítese do mundo? Talvez se Lacan vivesse, diria que nós somos a negação, que torna verídico o existente.

Num pós-modernismo, em que o mundo cria laços de conectividade, o Brasil se desata. Desata seu ato, desata “nós”. Coloquem a corrupção na cruz. Mas primeiro achem-na. Que não seja numa carência. Numa constituição. Num martelo. Achem seu sujeito, que existe independentemente do tempo, e perpetua-se no poder independentemente de partidos. Achem-na. E a execraremos de um país que ela mesmo execrou. E a julgaremos com a constituição que ela mesma ergueu. Achem-na. Mas eu digo.

Ela não está sujeita a sua constituição. Ela não está sujeita a ela própria. Ela não está sujeita a um fingimento deveras. Ela é o grande sujeito de nossa própria história.

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