Artigo Zero Hora
CLÁUDIO BRITO
Jornalista
claudio.brito@rdgaucha.com.br
Jornalista
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Cada sessão da CPI da Petrobras me desencanta. O que vejo, sempre, são tentativas ridículas de espetacularização. Teatralização com péssimos atores. Não esquecendo de considerar que a investigação parlamentar, no caso, é completamente desnecessária. O que vale um inquérito se todos os fatos já foram investigados? Se já existe processo judicial? A que conclusão chegará a comissão? Na verdade, seus integrantes querem a janela midiática e o palanque eleitoral gratuito e fora de época. E vale tudo. Dependendo do partido e dos interesses de quem tem a palavra, ouve-se apenas um punhado de ofensas aos depoentes, longos discursos, maiores que as respostas, além de encenação barata. O mesmo acontece com os que estão ao lado de quem vai depor. Conteúdos diversos, formas idênticas. É para entristecer e indignar o cidadão.
Na última sessão da CPI, um servidor, no começo da audiência, soltou no ambiente alguns pequenos roedores, apressadamente apontados como ratos. Lá pelas tantas, alguém vociferou perguntando ao investigado, que seguia em seu depoimento: “Então, o senhor acha que isso aqui é um circo? Não faça da CPI um circo, não abuse da gente!”. Era o jeito de reagir às palavras de quem negava as acusações, rebatendo-as com moderação. O jeito destemperado de encaminhar mais uma ofensa ao depoente chegou ao cúmulo de confundir a bagunça com o templo sagrado da arte popular, o circo.
Um espetáculo circense é diferente, é sério, verdadeiro. Na hora dos palhaços, então, nem se fala. Ser palhaço não é para qualquer um, exige-se talento, entrega, presença de espírito, mas, acima de tudo, sinceridade. No circo, existe sinceridade, seja um grande circo internacional ou um mambembe ancorado em um terreno qualquer de uma pequena cidade. Tem deputado que se acha, mas não é por saltar de um partido a outro, ou por fazer trapaças que poderá imaginar-se um bom artista. Trapezistas, malabaristas, mágicos e acrobatas verdadeiros são de outra estirpe. Por isso, não faz qualquer sentido pretender ofender alguém dizendo que o compara a um artista de circo. Baixem a bola e sosseguem o facho, senhores inquisidores parlamentares. Respeitem o circo!
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