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Editorial Zero Hora
Chacinas, execuções, assaltos e tiroteios em praça pública começam a se tornar rotineiros no Estado, especialmente nas cidades da região metropolitana de Porto Alegre. Alastram-se na área de maior densidade populacional do Estado os efeitos da violência generalizada, ligada quase sempre ao tráfico de drogas.
A matança não é a única consequência disso. Delitos de toda ordem fazem com que, de acordo com especialistas, até dois terços das prisões sejam determinadas por envolvimento com o comércio de entorpecentes. Aos poucos, lamentavelmente, os gaúchos passam a conviver com os mesmos cenários da guerra urbana que degrada o Rio de Janeiro e desafia os programas de pacificação de favelas.
Como o tráfico só existe para atender a uma demanda, é fácil deduzir que o comércio de drogas contribui para o aumento das guerras entre quadrilhas, na disputa sempre mortal por mercados. Enquanto as propostas de legalização de drogas como a maconha não avançam, como tentativa para conter o morticínio, as autoridades precisam intensificar o combate ao negócio ilícito, sem desistir das campanhas que conscientizem os jovens e as famílias dos riscos do consumo.
Admitir que é preciso buscar alternativas à repressão, que fracassou como única política de combate ao tráfico, não significa abrir mão da autoridade e da vigilância. Os traficantes não podem sentir-se à vontade, a ponto de exercer o poder nas periferias. O Estado precisa fazer a sua parte e cumprir com suas atribuições, para que Porto Alegre não corra o risco de ter alguns bairros governados por gangues de traficantes, como na dolorosa realidade do Rio.
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