Editorial Zero Hora
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Ao completar um ano e atingir sua 10ª etapa, a Operação Lava-Jato contabiliza mais do que as prisões preventivas ou temporárias de corruptos e corruptores que vinham saqueando a Petrobras, levantando também o manto político que encobria as falcatruas. A operação mostra, acima de tudo, que há instituições independentes e confiáveis no Brasil e que é possível, sim, promover uma limpeza ética na administração pública. Organismos aperfeiçoados desde a Constituição de 1988 fazem valer suas prerrogativas e suas responsabilidades. São esses, em especial, os casos da Polícia Federal e do Ministério Público.
Deve ser creditada ao MP, que até bem pouco tempo teve questionado seu direito e poder de investigação, boa parte dos esforços para a compreensão da dimensão dos delitos e a identificação dos criminosos.
Também vem merecendo justo reconhecimento a atuação do Judiciário, que tem na Lava-Jato uma oportunidade singular de demonstração de vitalidade, imparcialidade e celeridade. Juristas e observadores dos processos, mesmo que à distância dos acontecimentos, têm exaltado principalmente a postura do juiz Sérgio Moro, que até agora mantém a discrição que se exige da magistratura.
Fica evidente, nesses primeiros 12 meses, que a faxina pode estar apenas no começo. É generalizada a sensação de que as investigações, as prisões e os indiciamentos levarão, inevitavelmente, à condenação de um número de pessoas jamais registrado no país num escândalo com tantos delitos conexos. Sabe-se, finalmente, como agiam as quadrilhas que combinavam a ganância das empreiteiras, a extorsão sistemática de servidores e o abastecimento de caixas de campanha dos partidos e dos políticos.
O exercício pleno das tarefas de cada órgão permite que o país tenha conhecimento das muitas quadrilhas formadas em torno dos negócios da Petrobras, do extraordinário volume furtado e das ações para reparação parcial dos danos.
A Operação Lava-Jato é também uma contribuição ao fortalecimento da cultura da vigilância e da responsabilização, para que os brasileiros sejam bem mais do que cidadãos indignados.
É preciso assegurar efetividade às ações, que talvez resultem também, num futuro próximo, num processo de resgate de pelo menos parte da imagem da atividade pública.
O país vive, em meio à instabilidade econômica, política e ética, um momento que põe à prova todas as suas estruturas da democracia.
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