Artigo Zero Hora
18 de março de 2015
GIOVANI FELTES
Secretário estadual da Fazenda do Rio Grande do Sul
O nosso Estado, como de resto o país, tem pela frente um período que exigirá de todos enorme sacrifício diante dos ajustes que terão de ser feitos. Longe de simplificar a situação como lamúrias de quem acaba de assumir o governo, as finanças do RS vivem um momento crítico nunca antes visto.
É verdade que nossos problemas estruturais são históricos, onde toda a receita é insuficiente para pagar a dívida, a folha dos servidores e o déficit da previdência. Ao longo de décadas, invariavelmente gastamos mais do que arrecadamos. Não fizemos a lição de casa, não cuidamos das bombas-relógio que, governo após governo, foram instaladas e são causa de grande parte dos desajustes das nossas finanças.
Todavia, a crise atual é sem precedente. Nos últimos quatro anos, o Estado lançou mão de toda e qualquer fonte de financiamento dos déficits: foi ao limite dos saques nos depósitos judiciais e caixa único, engessou orçamentos futuros com reajustes salariais para determinadas categorias que vão até 2018 e bateu no teto de endividamento. Ou seja, esgotou o pote de soluções mágicas em meio a um cenário de economia estagnada.
Para quem reduz a cada ano os investimentos com recursos próprios e as poucas obras que realiza resultam em mais dívidas, é urgente adotar medidas que restabeleçam a presença do Estado na vida do cidadão. É preciso erguer novos pilares nas nossas relações institucionais, políticas e sociais no sentido de compartilhar este momento de extrema dificuldade, mas igualmente com as soluções que precisamos encontrar e seus resultados.
O rombo financeiro de R$ 5,4 bilhões é uma projeção real para 2015. Representa três folhas do funcionalismo e, mesmo com as duras medidas em curso para conter os gastos, o RS não sairá desta crise sem que haja, de todos, um olhar responsável com a atual e as futuras gerações de gaúchos.
Por ação ou omissão, somos todos responsáveis por esta situação. Os principais partidos, sem exceção, já passaram pelo governo, fato que lhes impõe maior ou menor responsabilidade nos avanços que o Estado alcançou nos últimos tempos, mas também sobre suas mazelas.
Por isso, o desafio que se apresenta ao governo Sartori está em buscar caminhos diferentes daqueles que já foram trilhados até aqui, sempre com transparência e diálogo, mas consciente de que o eleitor delegou-lhe a missão de fazer o que é preciso ser feito. É chegado o momento de o Rio Grande enfrentar a sua verdade!
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