Artigo Zero Hora
DENISE FINCATO
Mãe da Luísa, professora do PPGD da PUCRS e advogada
Mãe da Luísa, professora do PPGD da PUCRS e advogada
Há pouco menos de um ano escrevi um artigo para a ZH. Nele agradecia à multidão que se mobilizara em prol da saúde de minha pequena, que então iniciava sua luta contra o câncer (leucemia). O ano passou depressa. A intensidade dos dias permitiu-me a aceleração do tempo e diminuiu (de certa forma) o sofrimento. Envolvi-me com o tratamento: hospitalizações, quimioterapia,
radioterapia, medicamentos, exames… tudo passou a ser muito conhecido e até certo ponto dominado. Os rompimentos abruptos que a enfermidade exigiu já estão se resgatando: Lulu voltou às aulas, ao curso de inglês, às brincadeiras, aos passeios ao ar livre… até ao cinema já foi!
O câncer é como um furacão que testa as estruturas das edificações pessoais e familiares, permitindo ver o quão preparados estamos para as adversidades da vida. E nunca estamos. Mas posso atestar que esses pequenos gigantes são naturalmente equipados para as grandes catástrofes de suas vidinhas. Não raro, tirei dela as forças de que necessitei.
Um ano depois, estou transformada. E essa transformação, aos poucos, também atinge o meu entorno. Lutar com minha filha me proporcionou amaciamento, clareza e objetividade: hoje diferencio o que é essencial, importante ou circunstancial.
Sabemos, eu e a Lulu, que essencial mesmo é fazer o bem. É doar de si. Não necessariamente dinheiro, roupas, alimentos, mas principalmente energia, expertise, oração, sangue. Sim, sempre há o que doar.
Quero, então, doar minha experiência: sei que a Lulu só está no percentual de pacientes com tratamento exitoso porque tivemos a sorte de detectar sua enfermidade em tempo para o êxito. O furacão não nos pegou totalmente despreparados. Mas outras crianças não têm a mesma sorte.
E pergunto: há quanto tempo não leva seu filho no pediatra? Há quanto tempo ele não faz um hemograma? E o que você, educador/cuidador/parente, faz em prol da criança pálida, com febres frequentes e manchas roxas no corpo, com quem convive?
É tempo de agradecer! Que meu agradecimento se concretize e frutifique numa onda de olhares cuidadosos para nossas crianças.
O câncer é como um furacão que testa as estruturas das edificações pessoais e familiares, permitindo ver o quão preparados estamos para as adversidades da vida. E nunca estamos. Mas posso atestar que esses pequenos gigantes são naturalmente equipados para as grandes catástrofes de suas vidinhas. Não raro, tirei dela as forças de que necessitei.
Um ano depois, estou transformada. E essa transformação, aos poucos, também atinge o meu entorno. Lutar com minha filha me proporcionou amaciamento, clareza e objetividade: hoje diferencio o que é essencial, importante ou circunstancial.
Sabemos, eu e a Lulu, que essencial mesmo é fazer o bem. É doar de si. Não necessariamente dinheiro, roupas, alimentos, mas principalmente energia, expertise, oração, sangue. Sim, sempre há o que doar.
Quero, então, doar minha experiência: sei que a Lulu só está no percentual de pacientes com tratamento exitoso porque tivemos a sorte de detectar sua enfermidade em tempo para o êxito. O furacão não nos pegou totalmente despreparados. Mas outras crianças não têm a mesma sorte.
E pergunto: há quanto tempo não leva seu filho no pediatra? Há quanto tempo ele não faz um hemograma? E o que você, educador/cuidador/parente, faz em prol da criança pálida, com febres frequentes e manchas roxas no corpo, com quem convive?
É tempo de agradecer! Que meu agradecimento se concretize e frutifique numa onda de olhares cuidadosos para nossas crianças.
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