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Poucas vezes um estudo deu uma ideia tão realista da dimensão dos dramas provocados pelas drogas no país, como o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgado esta semana.
Poucas vezes um estudo deu uma ideia tão realista da dimensão dos dramas provocados pelas drogas no país, como o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgado esta semana.
Um dos diferenciais do estudo é o de não se restringir a quantificar a tragédia constituída pelo elevado número de usuários e a violência que costuma estar associada ao narcotráfico. O que chama particularmente a atenção é o elevado número de pessoas com seu cotidiano prejudicado de alguma forma por dependentes químicos. A situação indica que, além de não ter conseguido atender satisfatoriamente quem já se escravizou às drogas, o país segue devendo algum tipo de ajuda mais eficiente para seus familiares e pessoas próximas.
Divulgado dois anos depois do lançamento do programa federal Crack, é Possível Vencer, que se comprometia, entre outros aspectos, a garantir assistência para dependentes, o estudo mostra um quadro ao mesmo tempo desolador e desafiador. Nada menos de 28 milhões de brasileiros, por exemplo – quase o equivalente a toda a população de um país das dimensões do Peru –, convive com algum usuário.
Em muitos casos, essas pessoas são submetidas constantemente a agressões verbais e até físicas, têm seu patrimônio pessoal dilapidado e sofrem pressão psicológica constante, a ponto de muitas se abalarem emocionalmente com gravidade. São situações das quais dificilmente alguém consegue sair sozinho, o que demanda mais atenção por parte da sociedade e do poder público.
Alguns dados apontados pela pesquisa não deixam dúvida sobre o grau de desestruturação familiar em consequência do problema: nada menos de 58% dos entrevistados com algum usuário de drogas na família, por exemplo, têm afetada a habilidade de trabalhar ou estudar. E, o que é igualmente preocupante, 29% dos que foram consultados estão pessimistas quanto ao seu futuro imediato. Esses percentuais poderiam ser menores se o país tivesse se preocupado mais em investir em prevenção.
Chama a atenção na pesquisa que metade dos entrevistados sequer sabe o que são os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPs) – unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) criadas para prestar atendimento aos dependentes químicos. E, o que é mais grave, mesmo quem tem conhecimento dessa alternativa não a utiliza como deveria. O país continua devendo assistência efetiva não apenas aos usuários de drogas, mas também a seus familiares, além de informações mais precisas sobre a quem podem recorrer em situações de crise.
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