quinta-feira, 18 de junho de 2015

" A Fraude Do Queijo "

Editorial Zero Hora


Sucessivas operações do Ministério Público do Estado, que flagram adulterações em alimentos industrializados, têm revelado a fragilidade e a inoperância dos órgãos públicos da fiscalização. A capacidade de investigação do MP é um contraponto positivo à ineficiência de instituições que não vêm cumprindo suas atribuições. As fraudes na área de laticínios tornaram-se rotina no noticiário policial, nos últimos anos, como prova de que, apesar dos flagrantes registrados desde 2013, os criminosos continuam agindo com desenvoltura. É previsível que a população se interrogue, nessas circunstâncias, sobre o que nunca ficaria sabendo das adulterações, se a promotoria não agisse com a eficiência demonstrada nesses casos.


 Além de acobertar e não acionar as autoridades, o secretário repassava verbas do Fundo Operação Empresa (Fundopem) para a empresa e o fiscal ajudava na distribuição para outras regiões, além de estar auxiliando a fábrica na obtenção de cadastro estadual — sustenta Rockenbach.
A desculpa de que as fraudes são de difícil identificação por parte de fiscais da área sanitária não convence. Em um dos áudios divulgados, com a gravação da conversa entre um comprador de queijo e o fabricante do produto, o comerciante pergunta claramente, em tom de desabafo e ironia, quando o fornecedor irá entregar queijo de verdade. É inacreditável que, se os comerciantes suspeitavam e os consumidores de queixavam do que consumiam, a fraude tenha prosperado por tanto tempo.
Fica evidente a omissão dos órgãos fiscalizadores. Desde a primeira fraude, há dois anos, o Ministério da Agricultura e a Secretaria da Agricultura não convenceram sobre o cumprimento de seus deveres na fiscalização. Se os organismos de vigilância cumprissem com a obrigação de evitar delitos, o Rio Grande do Sul não teria virado notícia nacional como o Estado em que os laticínios enganam o consumidor e mancham a imagem da indústria gaúcha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário