WILSON KLIPPEL SICHONANY FILHO
Advogado, pós-graduando em Direito Administrativo
Imagino que, assim como eu, milhares/milhões de brasileiros acordaram tristes após o trágico jogo do Brasil nas semifinais da Copa do Mundo.
O Brasil saiu da Copa _ das Copas _ de forma acachapante. Tecnicamente, há muito o que ser revisto: replanejamento das categorias de base, aprimoramento na formação dos profissionais do futebol, incentivo à literatura esportiva.
Muito pode e deve e ser feito para que se colham frutos melhores em 2018 e/ou em 2022, na Rússia e no Catar, respectivamente. Todavia, como toda boa “sapatada”, da Derrota do Brasil se extraem inúmeras lições, as quais transcendem a seara esportiva. Vi comentaristas esportistas comparando o fato à reestruturação de uma grande empresa após uma situação econômica delicada. Li psicólogos apontando maneiras de como pais devem tratar a frustração de seus filhos pequenos que estavam crentes no sucesso da seleção brasileira. Ouvi do ainda vitorioso técnico da seleção brasileira que “a vida segue”. De fato, a vida segue. Entretanto, segue diferente, segue de maneira mais madura e calejada. O fracasso, apesar de doloroso, tem o condão de romper paradigmas e barreiras e de fazer repensar o modo de condução de algumas circunstâncias. E é aqui que o futebol encontra a vida. Não há dúvidas hoje que o futebol brasileiro precisa ser repensado. Todavia, essa crítica ferrenha, sobretudo da imprensa esportiva (e talvez com razão), possivelmente só tenha se projetado em razão do escore do jogo. Quem duvida que estaria tudo bem se o Brasil avançasse à final ou fosse eliminado com “dignidade” pela Alemanha (amparando-se nas ausências de Neymar, o craque, e de Thiago Silva, o capitão)?
A vida não se revela diferente. Às vezes é preciso sentir o peso de um resultado adverso, de uma catástrofe para reformularmos o que continuaria intocável no caso de resultados – aparentemente – positivos.
Pra mim, do “mineraço” ficam duas lições: a) a vida, em qualquer dos seus campos (social, profissional, familiar, espiritual), exige uma permanente e constante reflexão; b) mais vale uma derrota capaz de apontar o que deve ser repensado do que resultados ludibriadores. E mais, não ousemos a olvidar: a vida segue.
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