Artigo Zero Hora
GERSON SCHMIDT
Padre e jornalista
Padre e jornalista
Tudo parecia semipronto para a Copa, apesar dos últimos retoques e rebocos de vésperas, dos incontáveis protestos e manifestações constantes na antessala do grande espetáculo mundial. A presidente anunciava em rede nacional que tudo estava esquematizado para se dar um grande evento. De fato, amainando as revoltas, e como o povo vibra com pão e circo, não só na antiga Grécia, tudo parecia correr bem.
De repente, alguns pilares se abalam, para tirar o véu da realidade do país do samba, Carnaval e futebol. A queda do viaduto em Belo Horizonte, em uma das principais avenidas que eu trafego também e passo lá por baixo, revela que os fundamentos do Brasil, que aparenta estar de pé, não estão tão seguros e sólidos como se mostra fora do país.
Isso é um ícone de uma nação camuflada que beira a ruir também em suas bases.
| há que destrancar,porque perderam as c haves do progresso... |
A derrota vergonhosa da Seleção Brasileira nas semifinais, dentro de campo, parece ser um reflexo da situação brasileira fora do campo, da sujeira debaixo do tapete, que alguns profetizam aparecer ainda mais depois da Copa.
A conquista do Hexa poderia camuflar um Brasil que não está com toda essa bola e assim cheio de taças e glórias.
Os canarinhos não cantam, nem encantam tanto assim dentro ou fora do jogo.
As fraudes dos ingressos também revelam que a crise não é somente nacional, mas global. A corrupção é geral.
O dinheiro ainda é o que governa o mundo, que move o coração dos idólatras que somos todos, em busca de pilares que não nos sustentam, nem dão sentido para nossas vidas.
A casa assegurada sobre a areia pode ruir a qualquer momento, pois as escoras têm que ser tiradas para averiguar a qualidade da engenharia de um projeto que pode ruir. Não adianta aqui levar à forca um engenheiro ou um técnico de um time que despencou. Trata-se de questionar nossa vida e nação alicerçada tão somente em pão e circo, ao som de pagodes e fanfarras.
A vexatória derrota brasileira não está dentro do campo, mas nas bases essenciais deste país, quando se deixa ruírem os fundamentos da família, da fé, dos valores e da dignidade humana, despidas e negligenciadas.
Não faltam craques em nosso país ou ídolos esportivos. Não falta torcida, barulho e emoção. Falta corpo, razão, estrutura básica. Como dizia já um santo: “Tirem Deus de um povo, que esse povo vai começar a adorar as mulas”.
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