Quais são os erros mais comuns que cometemos com os bichos de estimação?
Conheça quais são os erros mais comuns que cometemos com os bichinhos e aprenda a retribuir todo o carinho que seu amigão lhe
Reportagem: Aline Angeli
"Bicho pra quê?": essa é a primeira pergunta que todo mundo deveria se fazer antes de comprar ou adotar um mascote
Quem tem um bichinho de estimação sabe: é uma alegria única poder compartilhar com os animais o nosso dia a dia. Eles ajudam a espantar a solidão, alegram a nossa casa e nos amam acima de tudo."Mas, infelizmente, muitas pessoas que se encantam com um filhote numa loja de animais não se dão conta de que levar um bicho para casa significa assumir um contrato de fidelidade que pode durar muitos anos, o tempo de vida do bicho", afirma Marco Ciampi, presidente da Arca Brasil, uma das primeiras ONGs brasileiras a difundir o conceito de posse responsável, um conjunto de atitudes que visam a ética, o respeito e o bem-estar animal. Está lá, na Declaração Universal dos Direitos dos Animais - é, eles têm uma, proclamada pela Unesco, em 1978: "O animal que o homem escolher como companheiro nunca deverá ser abandonado". Mesmo assim, só no Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo, cerca de 60 cães e gatos (muitos, inclusive, de raça) são despejados por dia pessoalmente por seus donos. Os motivos para o abandono variam de explicações como "ah, ele não sabe se comportar", até "ela está velha demais" ou "ficou grande demais para meu apartamento".
Certamente você já ouviu falar de que ter um bicho faz bem ao humor e até à saúde. Nos últimos anos, dezenas de pesquisas se empenharam em mostrar o poder da amizade com animais sobre problemas como hipertensão, depressão e até sobre a qualidade de vida de doentes crônicos. Mas será que nós, humanos, sabemos fazer bem ao humor e à saúde de nossos bichos? Hummmm
Nem sempre. Mesmo que você não seja tão frio para abandoná-lo à própria sorte e esteja cheio de boas intenções. "As pessoas, em geral, são bastante sensíveis à causa dos animais", comenta Ciampi. "O problema é que, na mesma medida em que há simpatia, há desinformação." Bichos têm, sim, emoções como alegria, tristeza e medo, mas mostram isso de uma maneira que nem sempre a gente entende. Esforçar-se para compreender o universo dos outros seres vivos que convivem conosco e tratá-los com respeito e responsabilidade é condição essencial para viver de forma ética e em equilíbrio.
Conheça a seguir quais são os erros mais comuns que cometemos com a bicharada e tire ainda mais prazer e alegria dessa relação:
Bicho para quê?
Essa é a primeira pergunta que todo mundo deveria se fazer antes de comprar ou adotar um mascote. Se a resposta for "para convivência e amizade", bingo! Cães e gatos são grandes companheiros, que precisam e gostam do contato próximo com seus donos. Mas há duas respostas erradas bastante frequentes. A primeira delas: "Porque as crianças querem". Adotar um animal deve ser uma decisão de toda a família, e os pais precisam estar conscientes de que, por mais que os filhos prometam cuidar dele, vai, sim, sobrar trabalho para os adultos. Além disso, como não têm noção de que cães e gatos também sentem frio, fome, dor e tristeza, crianças com menos de 6 anos não são uma companhia
segura, especialmente se ele for filhote.
Outra motivação equivocada é ter um animal "para proteção". Confinar um cão no fundo do quintal e privá-lo do convívio da família imaginando que assim ele será mais bravo é um engano perigoso. "O correto é apostar na inteligência do animal, socializá-lo e adestrá-lo adequadamente, para que ele saiba distinguir quando deve ou não atacar", afirma a veterinária Hannelore Fuchs, de São Paulo, especialista em comportamento animal. Em vez de dar um destino tão miserável a uma vida, que tal instalar equipamentos eletrônicos de segurança? Dá menos trabalho e sai muito mais barato.
Focinho de um...
Além dos traços físicos, cada raça possui características temperamentais e necessidades bastante distintas. E é preciso ver se elas se adaptam a você e ao seu estilo de vida, para não sofrer mais tarde. Levar para um apartamento cães de caça como um dachshund, que adora correr e cavocar a terra, ou deixar a maior parte do dia sozinhos um collie ou um terrier, que carecem de muita atenção e estimulação, é sinônimo de problema. "Informar-se sobre o animal antes de levá-lo para casa é uma forma de respeito a ele e o único meio de atender às suas necessidades básicas", afirma a veterinária e etóloga Rubia Burnier. Há um tipo de bicho, porém, que não tem restrição e é quase unanimidade entre os especialistas. Sabe qual? O vira-lata. "Ele tem mais capacidade de se adaptar aos diversos ambientes, é o mais independente, o mais fácil de trabalhar e o mais fiel", diz Rubia. Além disso, é o mais saudável geneticamente, pois não foi submetido aos sucessivos cruzamentos consanguíneos que os criadores fazem nas raças mais "puras".
Bibelô da mamãe
Essa costuma surpreender muitos donos que se acham bonzinhos: viver com o bicho sempre no colo e mimá-lo como um bebê é péssimo para a saúde psicológica dele. "O animal desenvolve dependência do dono e sofre uma angústia profunda sempre que se separa dele", diz Rubia. Quem passa o dia inteiro fora e, à noite, decide compensar dando atenção exclusiva, também erra: isso faz com que sua chegada fique supervalorizada, levando o bicho, muitas vezes, a passar o resto do dia plantado na porta esperando - o que, convenhamos, não é vida.
Se você gosta realmente de seu amigo, precisa ensiná-lo a ficar feliz também sozinho. Uma das melhores formas é dar-lhe o direito de viver com um companheiro da mesma espécie, criando dois animais. Outra é acostumá-lo gradativamente a ser mais independente e fazer com que ele associe sua ausência com algo prazeroso, como uma caixa de brinquedos que o bicho acessa somente quando fica só.
Prole sob controle
Castração. A palavra, sem dúvida, é horrível: lembra mutilação, censura, agressão. Talvez por isso, muitos donos tenham tanta resistência e pena de esterilizar seus animais. Grande engano, dizem os especialistas. "Esse é um dos principais atos da posse responsável", afirma Hannelore. Só assim se podem evitar as crias indesejadas e a superpopulação de bichos abandonados, causa de um interminável ciclo de sofrimento e crueldade. Por mais que você consiga donos para uma ninhada, jamais poderá ter certeza de que eles, e seus futuros filhotes, serão bem tratados. "Para o animal, não há vantagem alguma em deixar que ele se reproduza", explica Hannelore. Pelo contrário: a castração, uma cirurgia de recuperação rápida, diminui as chances de tumores nas fêmeas e de inflamação da próstata e testículos nos machos, além de acabar com vários comportamentos sexuais indesejados, como a agressividade, a vontade de fugir para cruzar ou a necessidade de demarcar território com urina.

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