quarta-feira, 16 de outubro de 2013

" Com a garganta presa " << Martha Medeiros >>


Foi muito divertido o retorno que tive da crônica de domingo passado, sobre as balas da infância. Muitos leitores lembraram de suas guloseimas favoritas, lamentaram eu não ter citado as balas Mocinho, apostaram que a pastilha cujo nome esqueci era a Supra Sumo (também adorava, mas não era essa...) e contaram episódios de quase morte por engasgamento com a bala Soft.
Bala Soft!!! - Foto: balas Soft, uma das guloseimas mais populares dos anos 80. <BR> <BR>Quem nunca se engasgou com uma dessas nos idos anos 80 que atire a primeira pedra... <BR>Todo mundo amava essa bala, mas ela era o terror dos pais, porque volta e meia a gente engasgava com ela. Culpa do formato redondinho e achatado: quando ela ficava bem lisinha com a saliva, era mole mole de ela descer goela abaixo da gente. Havia até um boato de que quem engolisse a bala morria depois de alguns minutos... sou uma sobrevivente e não sabia, hehehe... era horrível engasgar com ela, mas os sabores eram de-li-ci-o-sos!!! <BR>Eram seis sabores de frutas: morango (a que o povo mais gostava), uva, cereja, limão, abacaxi e tangerina (essa durou pouco tempo no mercado). Também tinha a versão café. As embalagens transparentes deixavam ver a cor das balinhas coloridas, lindas... <BR>Depois, por causa dos engasgos da garotada com a bala, ela saiu de circulação por um tempo e voltou com novo formato... menos perigosa, mas também sem aquele saborzão de antes... Perdeu a graça... - Fotolog

Porém, sacudidos de cabeça para baixo, todos se salvaram. Há quem jure que essas balas foram proibidas por terem um formato perfeito para grudar na traqueia até asfixiar – não encontrei fontes oficiais sobre o assunto, mas estou tentada a acreditar que elas entraram mesmo para a lista negra do FBI, da CIA e da Scotland Yard. Era tenso: eu chupava essas balas como se estivesse participando de uma roleta-russa.

Engasgos rendem cenas hilárias, mas levo o assunto a sério, pois quem já teve o desprazer de passar por isso sabe o quanto é estressante. E se a cena se der em local público, não só é estressante como constrangedor. Difícil manter a pose quando se está prestes a morrer sufocada, com os olhos esbugalhados e o rosto ganhando o tom de beterraba.


Acontece comigo com uma frequência que não chega a ser alarmante, mas manda a prudência que eu não relaxe tendo um copo em mãos. Não engasgo com sólidos, apenas com líquidos. Já vivenciei o problema no meio da madrugada, ao tomar água, e também em restaurantes, bares, até em beira de piscina.

Sofro só de imaginar que um dia possa ocorrer durante uma palestra ou uma entrevista. Hoje me concentro demais para que a epiglote (porta de entrada do ar nos pulmões) não feche em hora indevida, mas às vezes estou empolgada com a conversa, emocionada até, e aí é que o rolo acontece. Se dá para manter a classe? Olha, nem sendo a Costanza Pascolato.

Quase sempre estou acompanhada, e quem me conhece sabe o que fazer: é a manobra de Heimlich, criada pelo médico americano Henry Heimlich, que em 1974 inventou um método simples para induzir uma tosse artificial. O salvador deve se posicionar por trás do engasgado e abraçá-lo mantendo as duas mãos bem abaixo do peito dele, e fazer uma pressão curta, porém firme em direção ao tórax, tantas vezes quantas necessárias.

Pequenos socos até que seja expelido o que estiver interrompendo aquele bate-papo que, até então, transcorria de forma tão agradável. É um procedimento mais indicado para quem tem algo sólido obstruindo a respiração, mas mesmo com líquidos funciona. Comigo, ao menos, funciona, ou não estaria aqui respirando e escrevendo.

Considere essa crônica um serviço de utilidade pública. Mesmo as balas Soft tendo sido banidas do comércio (nada sei sobre o mercado negro), ainda assim há muitas coisas que nos engasgam, entre sólidos, líquidos e emoções sortidas: quem já não quase sufocou com um beijo? Se for para faltar ar, que seja por amor, que também é doce.

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