Na Copa de 1994, nos Estados Unidos, a tabela mandou que a Seleção Brasileira cruzasse o país mais de uma vez, ziguezagueando do oeste para o leste e de volta para o oeste como se alguém ou alguma coisa estivesse querendo nos impressionar com o tamanho e a diversidade do país, com o seu potente passado e o seu domínio do futuro. O que parecia simples capricho da sorte na verdade era ostentação. A seleção foi de Los Gatos, na Califórnia, pequena cidade no Vale do Silício com a maior renda per capita da America, símbolo de tecnologia e de dinheiro novos, para Detroit, no leste, cuja decadência evocava sua antiga força industrial agora enferrujada, e daí para a calorenta Dallas, onde mataram o Kennedy, o que não deixava de também ser uma exibição de poder.
O Brasil estreou no estádio da Universidade de Stanford, uma das melhores do mundo e, mesmo tonto de tanto viajar, acabou, triunfante, em Los Angeles, levantando a taça do desagravo para mostrar que não tínhamos nos deixado humilhar. Os Estados Unidos podiam ser grandes mas nós tínhamos o Dunga.
Não que as idas e voltas da Seleção não tenham sido curtidas. Em Los Gatos era revigorante saber que você estava respirando o mesmo ar dos bilionários. E em Dallas, onde era aconselhável não sair na rua para não voltar assado, ficamos (ou a imprensa ficou, o time não me lembro) num hotel com um certo encanto sulista, na zona – ficamos sabendo só depois de instalados – gay da cidade. O hotel tinha principalmente um ótimo bar com uma ótima cantora negra, e era onde nos refugiávamos do inferno lá fora.
Mas o fato é que, dispensadas as amenidades, a tabela da Copa de 94 nos foi cruel. E agora surgiu a possibilidade da vingança. Pelo que sei, a seleção dos Estados Unidos será a que mais viajará pelo Brasil durante a Copa. E os americanos ficarão sabendo o que é um país grande e diversificado. O único risco, claro, é a tabela vingativa ter o mesmo efeito da tabela de 1994, e os Estados Unidos acabarem campeões do mundo.
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