Daqui a um ano, quando os estádios silenciarem depois do Mundial, alguns templos do futebol como o Maracanã, o Beira-Rio, o Mineirão, a Arena de São Paulo e a Fonte Nova provavelmente continuarão recebendo um público numeroso, pois estão localizados em Estados com tradição esportiva. Mas o que fazer para que os demais, como os localizados em Brasília, principalmente, Cuiabá e Manaus, tenham uma destinação menos drástica do que a reservada aos de Portugal depois da Eurocopa de 2004 e aos da África do Sul após a Copa de 2010 – alguns dos quais até mesmo sob a ameaça de demolição? Se as modernas arenas não irão se transformar em elefantes brancos, como insiste o governo federal, é bom que o país se preocupe desde já, enquanto conclui investimentos bilionários para o certame, em assegurar as condições para que continuem a ter sentido depois de 2014.
Em períodos anteriores, o país já se mostrou capaz de conciliar projetos tão polêmicos quanto os que se encontram agora em andamento e também onerosos, embora numa escala muito menor, com o interesse coletivo. O exemplo mais ilustrativo é o Sambódromo, a passarela do Carnaval no Rio de Janeiro, concebida para abrigar alunos em salas de aula no período letivo. O país já sabe que, encerrada a Copa, arenas com capacidade para receber quase 50 mil pessoas, como a de Manaus, voltarão a se contentar no máximo com os 2 mil que constituem a média do Campeonato Amazonense. Não podemos repetir a frustração legada pelos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio, a mesma cidade que sediará a Olimpíada de 2016. Muitos projetos levados adiante na época estão sendo demolidos ou reconstruídos, enquanto os atletas não têm onde se preparar para competir daqui a três anos.
Em períodos anteriores, o país já se mostrou capaz de conciliar projetos tão polêmicos quanto os que se encontram agora em andamento e também onerosos, embora numa escala muito menor, com o interesse coletivo. O exemplo mais ilustrativo é o Sambódromo, a passarela do Carnaval no Rio de Janeiro, concebida para abrigar alunos em salas de aula no período letivo. O país já sabe que, encerrada a Copa, arenas com capacidade para receber quase 50 mil pessoas, como a de Manaus, voltarão a se contentar no máximo com os 2 mil que constituem a média do Campeonato Amazonense. Não podemos repetir a frustração legada pelos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio, a mesma cidade que sediará a Olimpíada de 2016. Muitos projetos levados adiante na época estão sendo demolidos ou reconstruídos, enquanto os atletas não têm onde se preparar para competir daqui a três anos.
O governo do Distrito Federal tem o maior desafio, pois o Estádio Mané Garrincha, inaugurado pela presidente Dilma Rousseff, já é visto em todo o país como um símbolo do desperdício. Tem sido referido, inclusive, pelos manifestantes que pedem o emblemático “padrão Fifa” em áreas como saúde e educação. Os novos estádios, de fato, com suas instalações impecáveis, acomodações confortáveis, banheiros limpos e funcionários bem treinados são um exemplo no qual instituições de ensino e postos de atendimento de saúde deveriam se espelhar.
Se a Copa é uma realidade irreversível, pois o país não tem mais como voltar atrás a essa altura, nem recuperar o que já foi gasto para investir em áreas essenciais, resta o desafio de fazer com que os ganhos não se restrinjam aos organizadores. Um bom começo é garantir que os modernos estádios continuem a ter algum sentido para todos os brasileiros depois de 2014.


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