quarta-feira, 11 de novembro de 2015

" O Conto do Usufrutuário "

                 Editorial Zero Hora




O presidente da Câmara teve três semanas para preparar uma desculpa sobre as contas secretas que mantém na Suíça. Se tivesse pelo menos se esforçado, poderia tentar sustentar por mais algum tempo a mentira apresentada aos próprios congressistas, quando afirmou, no início de outubro, que nunca enviou recursos para o Exterior. O pretexto agora apresentado, depois da comprovação da existência das contas por autoridades suíças, subestima a capacidade de discernimento não só dos colegas de parlamento, mas de toda a sociedade.


Diz o senhor Eduardo Cunha que o dinheiro existe, mas que ele passou a ser apenas usufrutuário, ou seja, inventou uma formalidade para dizer que as verbas desviadas não estão mais em seu nome. A questão ética nem deve ser debatida nesse caso, porque esse é um aspecto que o presidente da Câmara desconsidera sistematicamente. O que se evidencia nesse caso é o deboche com a inteligência alheia.

Não há como imaginar-se que alguém aceite tal desculpa como razoável. Eduardo Cunha teve tempo e condições de dispor de amplo direito de defesa. Teve, inclusive, o apoio de setores do Congresso, que o elegeram para o comando da Câmara e agora tentaram protegê- lo. Mas não reuniu nenhum argumento convincente contra os indícios de que mentiu.

É nesse momento que a frase histórica de Abraham Lincoln ganha mais uma vez atualidade: “Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”. O homem investigado por determinação do Supremo continua manipulando informações e arregimentando cúmplices para suas desculpas, na tentativa de sobreviver politicamente.

Mas há muito o parlamentar perdeu o poder de convencimento e o respeito de todos. Não há como tentar iludir o Congresso, o Ministério público e o país, com tantas contradições e argumentos sem fundamento. Resta ao deputado admitir que o desenlace da sucessão de episódios imorais é a cassação de seu mandato.


Vídeo: Eduardo Cunha ganha o Oscar de cara de pau usufrutuário

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Fernando Brito, via Tijolaço em 7/11/2015
Eduardo Cunha deu uma entrevista a uma equipe de repórteres de O Globo – aos repórteres Francisco Leali, Isabel Braga, Júnia Gama e Paulo Celso Pereira, com imagens de André Coelho e edição de Eduardo Negri – que tem de chegar ao conhecimento de todos os brasileiros.
Porque é o presidente da Câmara dos Deputados, em tese a representação de nosso povo, protagonizando um espetáculo de desfaçatez para “explicar” o dinheiro encontrado em contas bancárias na Suíça em seu nome, de sua mulher e de sua filha.
Cunha diz que o dinheiro tinha décadas, foi obtido com operações de compra e venda no exterior e foi colocado, também desde priscas eras, em nome de terceiros, apenas com um contrato particular – que não mostra ou identifica – e que, portanto, na sua tese, não era mais seu.
Claro que não explica como, se não era seu, servia para pagar despesas milionárias em cartão de crédito, mas isso não vem ao caso.
Diz, também, que não mentiu ao dizer que não mantinha contas no exterior, embora seu passaporte, endereço e assinatura tenham ido parar na Suíça, bem como admite que recebia extratos.
Tudo, claro, nas contas que não eram dele.
Aliás, nestes extratos não apareciam com o nome do depositante os valores vultosos depositados pelo empresário João Augusto Henriques quando este depôs na Operação Lava-Jato. Até então, coitado, sabia apena que era uns milhõezinhos que apareceram na conta que não era dele…
Cunha é, disparado, o favorito ao Oscar 2015 de maior cara de pau do Brasil, quiçá do mundo.
Não é tucano ou magano que o sustente no cargo. Assista.

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