sexta-feira, 13 de novembro de 2015

" Impasse No Congresso "

Impasse no Congresso Eduardo Oliveira/ARTE/ZH

Com a decisão do PSDB, principal partido de oposição, de retirar o apoio ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fecha-se o cerco em torno do presidente da Câmara, acusado de ser beneficiário do esquema de corrupção da Petrobras e de ter mentido a seus pares sobre a propriedade de recursos não declarados no Exterior. Se o próprio acusado não adotar uma decisão mais sensata — como, por exemplo, renunciar ao cargo —, será necessário dar celeridade ao seu julgamento pela Comissão de Ética. Obviamente, o processo precisa obedecer aos ritos legais e ao princípio da presunção de inocência. Não é admissível, porém, que o Congresso tenha seu funcionamento descontinuado num momento em que o país aguarda ansiosamente por decisões que destravem a economia.
Diante da gravidade das denúncias e do fato de que, quanto mais tenta se explicar, mais se mostra enredado nas suspeitas, o parlamentar perdeu o apoio de integrantes da oposição para os quais representava uma perspectiva de o processo de impeachment da presidente da República ser levado adiante. Agora, mantém o aval de integrantes de 13 partidos, 12 dos quais da base aliada, mais pelo temor de que o impedimento de torne realidade no que pela crença em sua inocência.
É inadmissível que, em meio a um jogo de interesses políticos do tipo salve-se quem puder, o país continue com sua economia se deteriorando por falta de um ajuste fiscal. Hábeis para agir em causa própria, os parlamentares deveriam demonstrar o mesmo empenho para colocar em votação temas com potencial para destravar a economia. Quanto mais tempo durar o impasse, maior será a conta a ser paga por todos os brasileiros.

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