Se ficarmos com os números das últimas eleições municipais também teremos uma distorção de representatividade. Dos 15.076 candidatos a prefeito no país em 2012, somente 2.017 eram mulheres (13%). Entre os eleitos, o percentual caiu para 12%: dos 5.549 que recentemente assumiram as prefeituras, mais de 600 são do sexo feminino. Na eleição para vereador, até mesmo em decorrência da legislação que estabelece cotas femininas, a participação das mulheres foi bem maior: 32%. Mas entre os eleitos para as Câmaras Municipais, apenas 13% são mulheres.
A ala feminina do parlamento defende uma reforma política que assegure maior valorização da mulher na sociedade brasileira, que não se restrinja apenas à representação nos governos e nos parlamentos, mas que abranja a ocupação de "espaços de poder"em toda a estrutura social. É inegável o avanço das lideranças femininas nas organizações privadas. Também é fácil constatar que as mulheres brasileiras já ocupam o posto de chefe de família em mais de 50% dos lares. Ainda assim, tanto as emancipadas e detentoras de boa situação profissional quanto aquelas que têm poucas oportunidades para estudar e trabalhar continuam sofrendo discriminação e preconceito de gênero. Seus salários são menores do que os masculinos, elas são preteridas quando competem com candidatos masculinos e muitas ainda são oprimidas e até sofrem maus-tratos no ambiente familiar.
A ocupação de espaços de poder significa, acima de tudo, a conquista de respeito e de paridade com os homens para o exercício de chefias, de funções de comando e de governos. Não se trata de mandar nos homens, mas de compartilhar com eles o poder gerencial, seja do país, do Estado ou do lar. Para isso, não basta uma reforma política _ o imprescindível é uma reforma de mentalidades.
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