Artigo Zero Hora
MOISÉS MENDES
moises.mendes@zerohora.com.br
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Tem quem não goste de Balneário Camboriú. Eu já gostava e gosto mais, porque é a terra do meu neto Murilo. Como também há quem não goste do Campeche. Eu aprendi a gostar porque é o lugar do meu neto Joaquim.
Tenho um pacto com meus dois catarinas. Vamos plantar 824 pés de pitanga até 2020. Plantaremos mais em Balneário, uma cidade sem árvores. Há as plantas praianas no calçadão da avenida à beira-mar, e quase só.
Na primeira vez que andei pela Avenida Brasil, a principal da cidade, percebi que havia algo estranho na paisagem. Era a ausência de verde. Claro que não vamos plantar pitangueiras na Avenida Brasil, mas bem que gostaríamos. Iremos, como já estamos indo, para as periferias de Balneário.
Começamos plantando pitan
gueiras em Porto Alegre, mas no domingo eu e o Murilo inovamos. Plantamos uma oliveira que ganhei de presente dos amigos Daniela Neu e Romar Beling.
Um dia, disse à Daniela, minha colega aqui na Zero, que nunca havia visto uma oliveira em solo gaúcho. Romar ficou sabendo, e o casal de poetas me surpreendeu com um filhote de oliveira de Santa Cruz do Sul. A partir daí, nós, os Mendes, ampliamos nossas ambições a números bíblicos _ também queremos árvores que guardem nossos gestos por mais de mil anos.
Só não digo onde plantamos a muda. Alguém da Smam pode alegar que é interferência indevida no ambiente. E isso que Porto Alegre foi tomada de guapuruvus. Por que guapuruvus?
O caminho para a zona sul da cidade é uma fileira dessa árvore sem passarinho. Mas não duvide _ alguma autoridade pode implicar com a nossa oliveira e querer trocá-la por um guapuruvu.
Se implicam até com a Fundação Zoobotânica, por que não implicariam com a oliveira? A extinção da Fundação é um dos projetos prioritários do governo para cortar gastos. É um corte pífio, não vai ajudar em nada.
Mas vale tudo em nome do ajuste. A motosserra do Estado ameaça derrubar a Fundação. Derrubam o que bem entendem. A prefeitura já derrubou árvores para alargar ruas. Árvores não entendem de desequilíbrio fiscal e de alegados progressos. Mas é assim que os governos se dedicam à sua função de deseducadores.
Dá vontade de mandar mudas de aroeira-brava do Jardim Botânico aos governantes e aos deputados que apoiam essa ideia esdrúxula. Mas seria uma crueldade com as aroeiras.
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