sexta-feira, 21 de agosto de 2015

" O Tarifaço de Sartori "

Editorial Zero Hora


A mesma urgência com que o Estado optou pelo aumento de impostos deve inspirá-lo a apresentar as contrapartidas à sociedade, na forma de compensações pelo aumento de custos que serão repartidos entre todos. O pacote com aumento de tributos já era esperado, mesmo que mereça rejeição generalizada do setor produtivo, mas não pode se visto como solução isolada. Os contribuintes esperam que, ao lado do aumento de alíquotas do ICMS, sejam adotadas outras medidas que pelo menos transmitam aos gaúchos a sensação de que algo está sendo feito no sentido de racionalizar despesas e qualificar a gestão.
Não basta que o governo anuncie a extinção de estruturas consideradas dispensáveis. É preciso que sejam apresentadas ações administrativas de restrição a gastos não essenciais, de adequação do tamanho dos quadros de servidores de confiança à realidade das finanças e de projeção de ações de médio e longo prazos, que produzam efeitos em deficiências históricas do setor público. Providências de emergência, como a sempre disponível tentação de mais impostos, representam danos a quem produz e perde competitividade, renda e capacidade de gerar emprego, e a quem consome e arca com os reajustes de preços.
É ilusório o sentimento de administradores que sustentam suas reações a crises em medidas paliativas. Aumento de imposto pode significar mais receita, apenas no curtíssimo prazo. Em pouco tempo, se traduz em perdas econômicas e sociais, com automática redução na capacidade de arrecadação. Espera-se da Assembleia sabedoria para avaliar o tarifaço e cobrar atitudes do Executivo, para que o Estado não se acomode com a tática sempre repetida de transferir a todos os problemas que que não consegue resolver.

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