quinta-feira, 20 de agosto de 2015

" Desarmando Bombas "

Editorial Zero HoraIotti: a tempestade perfeita Iotti/Agencia RBS


Ao negociar com a Câmara uma fórmula para alterar a rentabilidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de forma gradativa e suportável pelos cofres públicos, o governo desarmou uma das chamadas pautas-bomba, incluída na agenda de conflitos entre o presidente da Casa e o Executivo. Ainda assim, continua caminhando na corda bamba. É o que demonstram decisões como a liberação da primeira parcela do 13º salário dos aposentados, contrariando visão do ministro Joaquim Levy, mas aliviando a pressão sobre a presidente Dilma Rousseff, e o socorro a segmentos industriais mais afetados pela crise, envolvendo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal (CEF).
Tanto a correção do FGTS quanto a antecipação do 13º dos aposentados são providências que corrigem deformações crônicas e, por isso, são bem-vindas. O que preocupa é o fato de essas e outras alternativas estarem sendo postas em prática no momento em que o país precisa evitar despesas adicionais e se concentrar no ajuste fiscal para dissipar dificuldades, evitando consequências ainda mais drásticas do que as enfrentadas até agora. É o caso das destinadas a aliviar o setor produtivo e a preservar o nível de emprego.
Ao mesmo tempo em que tenta evitar o pior no Congresso, porém, o governo incorre nos mesmos equívocos que levaram à atual recessão. O país não pode se limitar a medidas pontuais e de efeito discutível contra a crise, cujo enfrentamento exige uma política econômica compatível com a necessidade de crescimento.

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