Artigo Zero Hora
DIONE KUHN
Editora de Notícias
dione.kuhn@zerohora.com.br
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Impeachment, renúncia ou união pela governabilidade? A 72 horas dos protestos de domingo _ o dia D do governo Dilma _, é precipitado apostar em qualquer uma dessas alternativas. E os movimentos confusos dos últimos dias são a prova de que o próprio Planalto está desesperado, procurando evitar o pior. Na tentativa de retomar parte do apoio do Congresso, Dilma voltou a se abraçar ao presidente do Senado, Renan Calheiros _ provavelmente a um custo muito alto.
Os rumos do país tendem a se tornar mais claros a partir deste domingo. Se os 71% de rejeição ao governo _ índice recorde, conforme o último Datafolha _ se refletirem nas ruas, algo muito radical e consistente, capaz de reverter opiniões, terá de ser feito pela presidente. Caso contrário, ficará difícil se manter no poder. Como administrar um país cuja população, na sua maioria, rejeita o seu mandatário?
Estava certa a presidente quando disse em discurso na semana passada que ninguém lhe tira a legitimidade das urnas. Mas é bom lembrar que o país saiu das eleições de 2014 dividido, a margem de votos obtida pela candidata do PT foi mínima em relação ao adversário Aécio Neves. Além disso, grande parte desses eleitores que legitimaram sua eleição agora está insatisfeita e deverá ir às ruas no domingo.
Se não está no vocabulário de Dilma a palavra renúncia, como afirmou o ex-deputado e ex-marido Carlos Araújo à colunista Rosane de Oliveira, é porque Dilma aposta em uma virada, vislumbra caminhos para se reerguer. E esses caminhos passam por reconstruir pontes com todas _ sem exceção _ forças políticas, empresariais, sindicais e sociais. É estar de coração e mente abertos. Governabilidade significa ouvir e, principalmente, aceitar e ceder. E há espaço para isso, pois nem todo mundo quer impeachment. Primeiro, porque até o momento não há fato concreto para isso. Segundo, porque esse instrumento poderia levar o país a uma crise ainda mais profunda.
Agora, se os movimentos de Dilma não forem convincentes, fica difícil imaginar uma presidente governando por três anos e meio com uma expressiva parcela dos eleitores de costas para ela.
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