Editorial Zero Hora
É impagável, mesmo com discordâncias de cálculos entre governistas e oposicionistas, a conta que a Câmara pretende transferir ao Executivo, com a mudança no sistema de apuração do tempo para aposentadoria do setor privado.
Com déficit crescente, a previdência administrada pelo INSS já era uma bomba de efeito retardado antes que os deputados mexessem no chamado fator previdenciário muito mais para fustigar o governo do que para beneficiar os trabalhadores.
É contraditório que parlamentares hoje na oposição, e que referendaram a criação do fator previdenciário, em 1999, agora tenham se perfilado ao lado dos que se organizaram para derrubá-lo. Além da incoerência, o que se evidencia é a despreocupação com o futuro do país, e não só da previdência.
O Congresso consegue andar na contramão de esforços que não são apenas do governo. O ajuste fiscal depende, para sua viabilização, do apoio do parlamento e do endosso da sociedade.
Quem conspirar contra essa necessidade adia, mais uma vez, soluções que o país vem reclamando desde os primeiros sinais de estagnação e de descontrole das contas públicas. É ingênuo o argumento de que o impacto financeiro da mudança se manifestará somente daqui a quatro ou cinco anos. Congresso e governo terão de chegar a um entendimento, para que se corrijam as distorções no atual modelo de contagem de tempo para a aposentadoria.
A solução estará num meio-termo entre o que os congressistas e o governo pretendem, e não na simples manutenção ou eliminação do fator previdenciário. A mudança só não pode ser feita ao sabor do ranço político, e sim com responsabilidade, cálculos sensatos e visão de futuro.
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