sábado, 16 de maio de 2015

" Biblioteca Fechada "

Artigo Zero Hora


KENNY BRAGA
Jornalista
Talvez eu não devesse me indignar com a demora em restaurações de prédios tombados por institutos do patrimônio histórico.

 A lentidão em obras de restauro no país, por falta de verba para executá-las no prazo inicialmente previsto, resulta do pouco apreço que muitos políticos e empresários têm pela preservação da memória nacional. 


Mas, quando se trata de um prédio de singular importância como o da Biblioteca Pública do Estado, com marcante influência do positivismo, ainda muito valorizado no início do século passado, quando foi construído em duas etapas, tenho dificuldade de conter minha indignação ao comentar o caso.

Apesar do esforço dos guardiões do prédio, como os integrantes da Associação dos Amigos da Biblioteca, desde a segunda metade de 2008 a restauração se arrasta, impedindo que leituras e pesquisas, com a utilização da maior parte do acervo precioso da biblioteca, se realizem em suas dependências. 

Os R$ 3 milhões captados até agora só alavancaram o início das obras de restauro do prédio que, para o seu acabamento, ainda precisa de mais R$ 8 milhões. Se num período de oito anos o projeto de restauro aprovado no final de 2007 não saiu totalmente do papel, quando isso acontecerá?

O prejuízo de pesquisadores, professores, estudantes e leitores de um modo geral não é completo porque 45 mil livros do acervo de 300 mil da biblioteca estadual foram transferidos em 2008 para o terceiro andar da Casa de Cultura Mario Quintana, sob o olhar atento da diretora Morgana Marcon.

Diante da constatação de que o restauro do prédio da esquina da rua Riachuelo com a General Câmara, no coração da Capital, anda em passo de tartaruga, chegou a hora de convocarmos o governador Ivo Sartori, que já foi professor, para se colocar na linha de frente, junto com o secretário da Cultura,Vitor Hugo, visando à captação da verba indispensável à conclusão do restauro, com maior celeridade, do prédio inaugurado pelo presidente Borges de Medeiros dia 7 de setembro de 1922. O governador e o secretário podem ter certeza de que, no instante em que isso acontecer, se formará em algum lugar do espaço infinito uma roda de chimarrão com a presença de intelectuais ilustres que foram diretores da Biblioteca Pública do Estado, como Eduardo Guimarães, Augusto Meyer, Manoelito de Ornellas, Reinaldo Moura, Arthur Ferreira Filho, Jayme Caetano Braun, Mozart Pereira Soares e Laury Maciel. Eles certamente 
dirão, com a elegância de mestres, que felizmente os gaúchos, em sua maioria, valorizam livros e prédios representativos de fases importantes da história rio-grandense.

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