sábado, 15 de agosto de 2015

Manifestantes voltam às ruas para pedir saída de Dilma de ‘qualquer jeito’

Lideranças querem reunir multidão domingo para aumentar pressão sobre presidenta

Atos vão poupar Cunha, acusado de corrupção, por ele ter ensaiado apoiar queda da petista

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'Panelaço' na última sexta-feira. / ERALDO PERES (AP)
Movimentos de oposição ao Governo irão às ruas pela terceira vez neste ano para pedir a saída de Dilma Rousseff do poder na esperança de manter a presidenta, que ganhou nesta semana um respiro com apoios políticos e de movimentos sociais, nas cordas. Asmanifestações ocorrerão neste domingo 16 e pedirão a saída de Dilma 'de qualquer jeito': por impeachment, cassação ou renúncia. Segundo o grupo Vem pra Rua, um dos organizadores do ato, 257 cidades confirmaram a participação no domingo. A prévia é bem menor do que a de 10 de abril, dois dias antes da última grande manifestação, quando mais de 400 cidades confirmavam presença nos protestos —São Paulo, uma vez mais, deve liderar os atos, com presença maciça de pessoas na avenida Paulista.
A expectativa dos organizadores era ampliar a adesão aos atos anti-Dilma, já que a crise econômica se aprofundou de abril para cá. Já a preocupação do Governo, que monitora o tema, era ver crescer os atos no Nordeste, base do PT onde a popularidade de Dilma também despencou. Mas uma pista para o número menor de cidades confirmadas vem das dúvidas da população em geral sobre os riscos, inclusive econômicos, de um eventual impeachment. "Aos poucos, os brasileiros começam a se perguntar se a saída de Dilma Rousseff traria uma solução melhor, num momento em que nem Governo e nem oposição apresentam perspectivas de futuro", acredita Renato Meirelles, do instituto Data Popular.
Outro fator que tem limitado a adesão é a indignação seletiva dos organizadores. Embora os organizadores cravem a luta contra a corrupção como tema central para derrubar o Governo, nomes que estão em evidência na mídia por denúncias de corrupção, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), têm sido poupados. "Temos prioridades. Neste momento, é o impeachment de Dilma Rousseff", afirmou Fabio Ostermann, um dos líderes doMovimento Brasil Livre (MBL). O grupo tem um pedido de impeachment da presidenta protocolado, baseado nas  'pedaladas fiscais', as manobras contábeis utilizadas para fechar as contas do Governo em 2014, sob análise do TCU (Tribunal de Contas da União). As lideranças se reuniram algumas vezes com Cunha, que é quem pode na Câmara dar início à tramitação de pedidos de impugnação.

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