Editorial Zero Hora
O Brasil tem um exemplo lamentável do que não pode se disseminar pelo país, no contexto da degradação do setor público, enquanto crescem as demandas não atendidas e os conflitos decorrentes de gestões ineficientes. É o que vimos no Paraná, durante esta semana, com o agravamento do confronto entre um Estado fragilizado por seus erros e setores do funcionalismo público resistentes a mudanças. No caso específico, a contrariedade é manifestada por professores receosos com alterações na cobertura da previdência social.
É justo que os diretamente envolvidos procurem avaliar os impactos em suas vidas e no futuro do próprio sistema previdenciário. Para a população paranaense, que sustenta o Estado, e para os brasileiros em geral, que acompanham a evolução dos confrontos, o que importa é dispor de informações suficientes para a compreensão de um fenômeno alarmante. No Paraná, o Estado depauperado chegou ao seu limite, amplificando atritos políticos, o desgaste da autoridade e o aumento da desconfiança entre quem lidera e quem é liderado. Nesse conflito, marcado pelo injustificável excesso policial, o funcionalismo é apenas um dos protagonistas, pois o desfecho dos impasses interessa a todos.
Enganam-se os que observam o caso em questão como uma situação com circunstâncias bem específicas e confinadas a um Estado. O que os paranaenses enfrentam configura o estágio avançado da mesma crise que consome recursos e energias de outras unidades da federação, entre as quais o Rio Grande do Sul. O descontrole das contas públicas, que desequilibrou por completo as finanças do governo de Beto Richa, é parte do mesmo conjunto de enganos cometidos por outros governantes estaduais e municipais. É um cenário que reproduz a mesma situação enfrentada pela União, às voltas com a tentativa de equalizar receitas e despesas num ajuste fiscal até agora frustrado.
Correções pontuais não serão suficientes para reparar os danos de décadas de desleixo, do adiamento de reformas do Estado, da reavaliação de estruturas arcaicas e da concessão de privilégios. Os Estados ainda têm a chance de evitar o que ocorre hoje no Paraná. Desde que não ignorem uma realidade que acaba por punir não só governantes e servidores, mas todos os que os sustentam e deles esperam o cumprimento das atribuições das instituições públicas.
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