Editorial Zero Hora
Causou forte impacto nos gaúchos ontem o audacioso assalto a um condomínio residencial no bairro Rio Branco, na Capital, numa área que concentra moradores de alto poder aquisitivo, protegidos por segurança privada, câmeras e grades.
O roubo cinematográfico, feito sob minucioso planejamento e protagonizado por bandidos fortemente armados, destoa um pouco da rotina de crimes a que está exposta diariamente a população rio-grandense, mas evidencia igualmente o caos da segurança pública no Estado.
A cada fim de semana, uma média de duas dezenas de pessoas perde a vida por conta de homicídios e latrocínios, desmentindo, na prática, algumas estatísticas otimistas da Secretaria de Segurança, que apontam para a redução desse tipo de crime. Mas isso não é o mais preocupante. A metodologia utilizada e as falhas nas pesquisas talvez expliquem as controvérsias numéricas. O pior é a sensação de insegurança crescente, que faz de cada cidadão deste Estado, nas áreas nobres e pobres, uma vítima potencial da violência, dos tiroteios diários, das balas perdidas, dos assaltos e dos roubos.
Essa sensação cresce ainda mais quando as autoridades não assumem as suas responsabilidades: a polícia diz que tem poucos efetivos e que não adianta prender porque a Justiça solta; os juízes dizem que os presídios estão superlotados e que não há mais para onde mandar os criminosos; os governantes dizem que não têm recursos para construir novas prisões.
E, ao cidadão, só resta se trancar em casa e rezar para que não seja a próxima vítima, pois sabe que, mesmo atrás das próprias grades, não está seguro.
Será que não chegou a hora de as autoridades de todas as áreas se unirem numa frente contra o crime, com ações conjuntas e visíveis, que façam a população sentir-se mais protegida?
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