sábado, 2 de maio de 2015

" A Corrupção Nossa de Cada Dia "

Artigo Zero Hora


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PAULO KROEFF
Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência/RS

Sim, claro, condenamos veementemente a roubalheira desenfreada que segue se desvendando na Petrobras, e a criminalização dos responsáveis.
Também apoiáramos a condenação dos “mensaleiros” e sua prisão, apesar do desplante de alguns se declararem “mártires” de uma trama orquestrada pela mídia.

 A desculpa às vezes apresentada de que aquilo era “simplesmente” caixa dois eleitoral, no qual todos os partidos se refestelavam, foi desmontada assim que uma ministra do Supremo Tribunal Federal relembrou que caixa dois também é crime.

Então, todos condenamos corruptos e corruptores, e seus imensos desmandos. Mas será que temos clara consciência de que estes roubos e crimes não têm suas raízes embrionárias em grandes malfeitos?
Começa-se com “pequenos” deslizes que são rachaduras que iniciam a corrosão do sistema pessoal de valores.

Pode ser um “furo” numa fila ou a ocupação indevida de uma vaga prioritária de estacionamento. Surrupia-se essa destinação social das vagas de pessoas idosas, de mulheres grávidas e de pessoas com deficiência. E as “desculpas”, dentre as quais, “era só por uns minutinhos”, são injustificáveis. A geral impunidade desses atos estimula sua continuidade.

Outros poucos exemplos são a nota fiscal solicitada a maior, para o ressarcimento do valor de um almoço, ou, ainda, um recibo não fornecido, em conluio de profissional com cliente, para fraudar o imposto de renda. Finge-se que isso também não é tirar o leite das criancinhas, nem suas creches, nem o dinheiro da saúde ou da educação. Apresenta-se como justificativa de que “isso é dinheiro que iria, de qualquer forma, para a corrupção institucionalizada”.

Esses tolerados “pequenos” deslizes são a corrupção nossa de cada dia que abre caminho para as futuras malas de dinheiro que virão… e muito mais!

Conclusão: Ou nos pautamos, convictos, por um sólido sistema pessoal de valores, que não precisa de fiscalização externa, ou viveremos uma farsa, rapidamente abandonada quando estivermos convencidos de que não seremos flagrados em nossos desmandos maiores. 

                         É assim de simples!

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