Artigo Zero Hora
0
CLEI MORAES
Analista político
Analista político
Rescaldo pode ser uma operação, geralmente realizada pelo corpo de bombeiros, para impedir que um incêndio recrudesça. Passado o segundo turno, com a definição do novo (ou não) presidente, o que restará entre as cinzas desta eleição?
Se algo pegou fogo no primeiro turno foram as redes sociais. Incendiada pelos candidatos, a baixaria correu solta. A “tática do medo”, protagonizada pela candidata do governo, é apenas um dos exemplos que deixaram propostas de lado.
Também a negação do modelo político, com pregação de voto nulo ou branco, teve seu destaque. E, apesar das campanhas de esclarecimento do TSE _ Tribunal Superior Eleitoral, provando que isso não anula a eleição, muitos defenderam o voto nulo.
Aqui, valendo-me de informação constante no site do Tribunal, farei um parêntese: “É importante que o eleitor tenha consciência de que, votando nulo, não obterá nenhum efeito diferente da desconsideração de seu voto. Isso mesmo: os votos nulos e brancos não entram no cômputo dos votos, servindo, quando muito, para fins de estatística. ”
Pois, agora, essa negação ganhou um partido em formação como defensor. Pergunto: pregaria o voto nulo ou branco caso candidato tivesse? Nesse sentido, por que querer ingressar nesse modelo se é para negar sua valia?

Outra questão é o “caviar” chamado reforma política. Possivelmente, algo deve ser proposto na próxima Legislatura, mesmo que seu atual relator, envolto em denúncias, não tenha sido eleito. Mas o quê?
Porém, ainda ficaram pra trás da discussão o uso do cargo, financiamentos de candidatos e partidos, puxadores de voto, uma possível Constituinte e o hiperpartidarismo, com 28 siglas representadas na Câmara dos Deputados
.
“Direita, volver!” É outra chamada que vem das urnas. A defesa da família tradicional, proposta por candidatos de todo o país refletiu na bancada mais conservadora, desde 1964, no Congresso Nacional.
Ou seja, avançamos no nosso processo democrático e eleitoral, mas retroagimos em nossas ideias progressista e liberais. Decorrente disso, a próxima Legislatura pode enfrentar um cenário de recessão política, revolta e passionalidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário