quarta-feira, 17 de setembro de 2014

" Vitória sobre a fome " < utopia do Governo >




Editorial Zero hora | 

" ... a redução expressiva no número de subnutridos precisa motivar o País a acelerar programas que facilitem o acesso a alimentos por grupos mais vulneráveis  ...
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Conhecido pelo engajamento na causa contra a miséria no Brasil, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, tornou conhecida a frase “Quem tem fome tem pressa”, no início dos anos 90 do século passado. A velocidade ficou longe da ideal, mas, graças à persistência de iniciativas como essa e a sua incorporação como políticas de governo, o país está comemorando o feito de ter reduzido de 14,8% para 1,7%, de 1990 até agora, o percentual de brasileiros em situação de insegurança alimentar. Os resultados, divulgados ontem pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), mostram que ainda há muito a fazer nessa área. O país, porém, avançou, garantindo espaço entre os que vão comemorar uma das chamadas Metas do Milênio _ reduzir a fome à metade até o próximo ano.
Mesmo com essa conquista, o Brasil ainda tem 3,4 milhões de pessoas ingerindo menos do que 2,2 mil calorias diárias. É um contingente superior ao de toda a população de Mato Grosso, por exemplo. No mundo, mesmo com uma redução de 100 milhões nos últimos anos, o total de famintos ainda é de 805 milhões, quase quatro vezes toda a população brasileira. Se essa é uma luta que não cessa enquanto houver uma única pessoa sem ter o que comer, ainda há muito tempo de batalha pela frente. E muita gente ainda vai chegar à fase adulta com sequelas físicas e psicológicas legadas pela subnutrição. Ainda assim, a conquista registrada agora é significativa. Um de seus méritos é o de não resultar do acaso, mas de políticas adequadas, colocadas em prática de forma sistemática e continuada.
A redução da pobreza e da pobreza extrema é reflexo do programa Fome Zero, lançado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que teve continuidade com outros planos sociais, entre os quais o Programa Nacional de Alimentação Escolar. Essas políticas sociais bem-sucedidas, vale destacar, só puderam ser implementadas a partir da estabilidade econômica assegurada com o Plano Real, que atenuou a corrosão nos ganhos dos brasileiros e tornou os orçamentos mais realistas, permitindo mais aplicações na área social.
A redução expressiva no número de subnutridos precisa motivar o país a acelerar programas que facilitem o acesso a alimentos por grupos mais vulneráveis. Quem se encontra nessa situação, como bem lembrou um dos precursores na luta contra a fome, não tem como esperar.

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