Artigo Zero Hora
MAURICIO TONETTO
Jornalista pós-graduado em Novas Mídias, repórter de ZH
mauricio.tonetto@zerohora.com.br
Jornalista pós-graduado em Novas Mídias, repórter de ZH
mauricio.tonetto@zerohora.com.br
A primeira medida que um governo totalitário adota ao chegar ao poder, seja ele de esquerda, direita ou fundamentalista religioso, é a mordaça à liberdade de expressão, com o fechamento de jornais, revistas e publicações que se atrevam a contestar sua ideologia. Nós vivemos isso durante a ditadura militar (1964-1985), quando muitos profissionais pagaram com a vida defendendo a imprensa livre. Não há dúvida de que o jornalismo independente é um pilar da democracia, e o atentado à sede da revista satírica francesa Charlie Hebdo _ que terminou com o assassinato de chargistas que ironizavam o profeta Maomé _ foi uma recado contra a tolerância.
A publicação é uma referência da liberdade de expressão, algo tão valorizado na progressista França, e por isso mesmo foi covardemente atacada pelos fanáticos. Em alguns países muçulmanos, onde nasceram e se fortaleceram a Al-Qaeda (autora do ataque em Paris e do 11 de Setembro) e o Estado Islâmico (que tem decapitado jornalistas ocidentais), há um terror permanente contra a informação. O que esses grupos pretendem é calar as vozes que não concordam com suas políticas manipuladoras. Com a religião como pano de fundo, eles assassinam pessoas simplesmente porque elas ridicularizam ou questionam ideias que envergonhariam até mesmo os governantes pré-Iluminismo. É um momento de reflexão, de as instituições e os governos mostrarem total apoio e fortalecimento aos veículos de comunicação que se propõem a fiscalizar, denunciar e ironizar. É um momento de você, leitor deste artigo, parar para pensar se, de alguma forma, também não tem contribuído para disseminar a intolerância nas redes sociais.
Quando alguém pede a volta da ditadura no Facebook, por exemplo, também não está sendo fundamentalista? Quando alguém pede que o jornal A ou a revista B sejam boicotados porque têm visões para lá ou para cá, também não está sendo fundamentalista? Quando alguém apedreja a sede de uma empresa de comunicação e promove o linchamento público de um jornalista porque eles seriam representantes de uma grande conspiração, também não está sendo fundamentalista? É um momento de refletir. Sem uma imprensa livre, o caminho está aberto para os ditadores, e todos nós somos responsáveis por isso.
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