terça-feira, 13 de janeiro de 2015

" Abandono é crime, jamais opção "

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REGINA BECKER FORTUNATI
Deputada estadual diplomada



A chegada das férias representa um período de preocupação redobrada para quem trabalha pelos animais. Isto porque a possibilidade que muitas famílias têm de gozar o merecido descanso longe de casa contribui para elevar o índice de abandono de animais domésticos, em todo o país. Não existem estatísticas oficiais, mas dados apontam que nesta época, com o aumento das viagens, há um crescimento de cerca de 70% no número de animais largados à própria sorte em praças, parques, ruas e rodovias, em comparação a outros períodos do ano.

Esta alarmante situação nos leva a ponderar sobre uma série de fatores, inclusive a contradição face aos novos tempos. Ora, hoje em dia é fácil ter a companhia de seu pet na viagem, uma vez que várias hospedagens não impõem restrições a animais. Por outro lado, se a intenção é não levar o seu amigo bicho, há oferta de locais para albergagem durante o período em que a família estará distante.
Talvez o problema seja de cunho moral, 


fazendo-nos questionar os valores da pessoa que comete o ato de abandono, que considera um outro ser vivo como “coisa” descartável. A ciência rompeu paradigmas e comprovou que animais não humanos são seres sencientes, dotados de sensibilidade e memória, que percebem o momento do desamparo e que também sentem saudade.

É bem provável que aquele que comete o abandono em uma rodovia, por exemplo, sem preocupação alguma com o bem-estar animal, não considere os riscos de acidentes enfrentados pelas milhares de pessoas que por ali trafegam. Simplesmente desdenha do respeito à vida e ao próximo. Esquece que para desfrutar do convívio de uma amizade incondicional deve estar ciente das responsabilidades que passa a ter, visto que a tutela é compromisso assumido para toda a vida.

Diante dessas considerações, abandonar jamais pode ser uma opção; é crime previsto no artigo 32 da Lei Federal 9.605/98. Lamentavelmente, a branda punição, fruto das sentenças, não coíbe, ainda, essa prática.
 A educação de jovens e crianças, 
como a instituída na rede pública de ensino de Porto Alegre, com um olhar voltado à questão animal, é a ferramenta e a esperança para esta mudança de atitude.

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