sábado, 4 de julho de 2015

" Debate Das Privatizações "

Editorial Zero Hora


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Ao admitir publicamente que terá de promover privatizações de empresas estatais para atenuar as dificuldades financeiras do Estado, o governador José Ivo Sartori reacende a disputa ideológica que historicamente entrava o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Embora pareça lógico que a estrutura demasiada e cara da máquina administrativa consome mais do que os contribuintes rio-grandenses podem suportar, lideranças políticas, sindicatos e corporações de servidores públicos opõem-se radicalmente à redução do tamanho do Estado. Os pretextos são sempre os mesmos: não seria adequado abrir mão de áreas consideradas de interesse público e, além disso, a iniciativa privada tenderia a elevar preços e tarifas dos serviços que administra, com prejuízos para a população.
São argumentos que perderam o sentido, não só no Brasil mas em todos os países que passaram ou continuam passando pela rediscussão do tamanho do Estado, como acontece de forma traumática na Grécia. O Rio Grande do Sul tem reproduzido, em escala regional, o que países enfrentam em circunstâncias globais. Agravam-se o inchaço da estrutura estatal, a ineficiência gerencial e a irracionalidade na aplicação dos recursos, em um contexto de crise e incertezas. O Estado foi inviabilizado no curto prazo por uma dívida impagável e será ingovernável, em pouco tempo, se nada fizer para corrigir parte dos desacertos cometidos nas últimas décadas.
Desestatizar e submeter os serviços ao rigoroso controle de agências reguladoras é uma saída consagrada por governos em dificuldades. Ao considerar essa hipótese, o governador não está nem mesmo sendo original, mas dando transparência à sua determinação de resolver os problemas. Sabemos que uma equipe formada pelo Executivo trabalha nesse sentido, para que quatro dezenas de fundações, empresas de economia mista e autarquias sejam avaliadas. Muitas são dispensáveis, porque não cumprem nenhuma missão estratégica, não conseguem competir com similares privadas e não têm nenhuma perspectiva de um dia se tornarem relevantes.
A economia, a política e todas as outras formas de perceber o interesse público superaram há muito tempo o debate infrutífero sobre as pretensas ideologias que gravitam em torno do que é estatal e do que é privado. Está esgotado o falso embate entre Estado mínimo e Estado poderoso. O que todos desejam é um Estado eficiente, que saiba definir prioridades e orientar ações em favor da população. É o que se espera das decisões a serem tomadas nessa direção pelo senhor José Ivo Sartori, antes que seja tarde demais.

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