sexta-feira, 3 de julho de 2015

" As Razões do Desgaste "

Editorial Zero Hora


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A queda vertiginosa da popularidade da presidente Dilma Rousseff _ que iniciou o seu segundo mandato com 56% de aprovação e agora tem o governo avaliado como bom e ótimo por apenas 9% da população _ deve-se a razões que viraram motivo de aflição para os brasileiros. O desgaste, comparável apenas ao do final do governo José Sarney, reflete prioritariamente a degradação da economia e as consequências de escândalos como o da Petrobras na política. Como, em ambos os casos, a tendência é de a situação se agravar ainda mais, o resultado só pode ser visto como preocupante, exigindo ações firmes e imediatas por parte do poder público.
Diante da situação criada, não contribuem para saídas nem atitudes açodadas como a de líderes da oposição cobrando a renúncia da presidente, nem o esforço de interlocutores do governo de minimizar os resultados, prevendo reversão breve. O que atemoriza a população e a leva a rejeitar o governo, indica a pesquisa CNI-Ibope, são as dificuldades econômicas, percebidas mais nos preços altos, no crédito caro e escasso e no temor do desemprego. E esses são problemas que ainda tendem a se aguçar com o ajuste fiscal.
Nesse cenário inquietante, a fragilidade política do governo, agravada pelas denúncias de corrupção, torna-se uma preocupação adicional. Os primeiros esforços oficiais para criar uma agenda positiva, com ênfase em programas de impacto popular, mostraram-se insuficientes para dissipar ou mesmo para atenuar o pessimismo. A presidente da República precisa se mostrar capaz de conciliar a dureza de um ajuste necessário para corrigir erros de gestão com a capacidade de reconquistar a confiança dos brasileiros.

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