Editorial Zero Hora
É histórica a decisão tomada pelos Estados Unidos de liberar a compra de carne in natura do Brasil, num dos principais gestos dos encontros de presidentes em Washington. A liberação interrompe um longo período de 15 anos de restrições e significa, mais do que uma possibilidade comercial, uma manifestação de que os dois países podem revitalizar suas relações. A oportunidade está aberta, mas, para aproveitá-la, o Rio Grande do Sul terá de agilizar suas operações, ampliar o número de plantas exportadoras e, principalmente, garantir a qualidade dos produtos, até mesmo porque a concorrência das demais unidades federativas será grande.
Os gaúchos terão também a competição de exportadores argentinos, igualmente beneficiados pela medida. É importante que os produtores levem a sério a advertência feita nesse sentido pela ministra da Agricultura, Kátia Abreu, para que a oportunidade não seja desperdiçada. Trata-se, em primeiro lugar, de assegurar condições que justifiquem a confiança americana, especialmente na área sanitária. A meta estabelecida pela ministra é agora o objetivo a ser perseguido _ a inclusão do Brasil entre os cinco países considerados referência mundial em agropecuária, pela seriedade com que se dedicam à qualidade do que produzem.
O Brasil tem a clara noção da chance oferecida, até porque já enfrentou situações constrangedoras em que a falta de dedicação aos controles sanitários pôs a perder negócios e a imagem conquistada. A oportunidade é particularmente interessante para o Rio Grande do Sul, no contexto de uma crise econômica. Mesmo que, no curto prazo, não sejam previstos grandes volumes de vendas, o mais importante é que outros mercados, como Coréia do Sul, Japão e Taiwan, seguidores das orientações americanas, poderão ser abertos à carne brasileira.
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