Artigo|
Zero Hora
GUILHERME BACCHIN
Estudante
Escrevo sobre a corrupção, porque sou brasileiro, e sobre juventude, porque minha dor ainda é menor do que meus sonhos.
Brasil, que Brasil te tornaste?
| não consegue retirar as vendas e agigantar-se,ficou ADORMECIDO, TONTO,NOCAUTEADO... e o povo morto de inanição,desesperanças,com os mazelos PRESIDENCIAIS... |
Quem morre todos os dias no horizonte, o sol ou tua esperança? A bandeira sente a dor da covardia, não da verdade. O hino reflete o sonho que já não pode ser sonhado. E esse país, quando se vê no espelho, só enxerga a mancha, não no reflexo, porque o espelho está em cacos, não em seus olhos, porque se tornou cego, mas sim em sua própria história.
Nossa constituição gargalha esquecida pela própria constituição. Constituição que açoitou minha alma com a liberdade de um pássaro que crê no seu voo como uma doença, e na gaiola como sua salvação.
Constituição que é a mão direita do corrupto, e a coroa de espinhos do miserável. Que foi o chicote do negro, e a algema daquele que jurava ser livre por tudo, menos pela liberdade. Quantos Messias eu verei conduzir, não as massas, mas os muitos milhões?
| Povo faminto,SEM ESTUDO,SEM LER,SEM PENSAR... deixou-se levar... e fugiu da luta... votou por uma bolsa de setenta reais,quando a bolsa de alimentos custa cento e treze reais.... BRASIL de SERES HUMANOS NÃO PENSANTES.... |
Nietzsche disse, “torna-te aquilo que és”. Não somos aquilo que somos. As palavras ordem e progresso nos condenam. As escolas e os hospitais transbordam de miséria, e o Congresso gargalha de soberba. Xeque, Brasil. Das peças negras, das brancas, da direita, ou da esquerda, pouco importa. Xeque.
Nossa dor não nos padece, mas nos envergonha. Nossas lágrimas escorrem dos jornais, das ironias públicas, das reflexões teóricas, e da dor que não existe. E essa ausência de dor nos dói forte, no centavo roubado da miséria, da cruz sem escola, sem hospital, no sonhar sem sonho, e da coroa de espinho sem rosa, ela é a única ordem e progresso que já existiram nesse dilema e nesse país. O corrupto gargalha, a história esqueceu de clamar pela esperança, nossa liberdade não tem liberdade. Sonhamos um ontem que jamais veio a existir, num país que esqueceu de despertar para aquilo que é. Brasil, e eu ainda continuarei te sonhando, mesmo se me tirares meu sonho. Eles conhecem a ganância, nós conhecemos a dor. Eles conhecem a corrupção, nós conhecemos a fome. Eles, a gaiola. Nós, o pássaro. Livrai-nos de nós. Xeque-mate.
Nenhum comentário:
Postar um comentário