terça-feira, 16 de dezembro de 2014

" Conta de Padeiro "

Editorial Zero hora 


editorialdia16
Revelada agora, uma auditoria interna decidida em abril, quando já tinham vindo à tona denúncias de corrupção na Petrobras, indica a realização de licitações feitas com base em projetos precários e concorrências repletas de irregularidades graves. As informações corroboram o que vem sendo apurado pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, à qual será anexada o resultado da investigação. E, de maneira geral, confirmam a afirmação do ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa, de que o custo inicial de uma obra de porte como a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, foi definido numa “conta de padeiro”, sem projeto definido. Esse tipo de conduta impõe prejuízos generalizados, tanto de ordem política, para o poder público, quanto financeira, para todos os brasileiros.


...O governo está demorando demais para tomar a decisão que,se baseada em rigor técnico,poderá sustar o desmoronamento do prestígio da principal empresa brasileira "


Os padeiros, obviamente, merecem respeito e a comparação não pode se prestar para pôr a seriedade de suas contas em dúvida. Ainda assim, no caso da Petrobras, os fatos indicam a precariedade do planejamento. 
Constituem, por isso, motivo suficiente não apenas para uma mudança completa no comando, mas também na forma como a empresa e as demais controladas pelo governo são administradas. Lamentavelmente, muitos dos responsáveis pelos desmandos que culminaram nas perdas bilionárias da Petrobras integram um time de servidores de carreira bem remunerados e admitidos por concurso público. O que ocorreu na estatal, porém, tem muito a ver com a falta de preocupação em relação a práticas essenciais de gestão comuns no setor privado.
 O descaso, presente em outras estatais, é mais visível entre ocupantes de postos de direção e de integrantes dos conselhos. Em ambos os casos, são comuns nomeações mais preocupadas com o reforço na renda de profissionais escolhidos por critérios subjetivos do que com a defesa do interesse público.
O governo está demorando demais para tomar a decisão que, se baseada em rigor técnico, poderá sustar o desmoronamento do prestígio da principal empresa brasileira. 

Está mais do que na hora de a presidente da República se pronunciar claramente a respeito do assunto e de anunciar um novo rumo para a Petrobras.

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