sábado, 14 de fevereiro de 2015

" Os horrores do litoral catarinense "


O litoral de Santa Catarina não é desprovido de problemas. E eles são, muitas vezes, bem piores do que os perrengues típicos do litoral gaúcho

Juliana Bublitz
por Juliana
Bublitz
Bastou Marcos Piangers, colunista aqui de ZH e comunicador da Rádio Atlântida, desnudar o litoral gaúcho em toda a sua realidade insólita para se tornar alvo da ira rio-grandense. A reação foi tão desproporcional e absurda, que Piangers chegou a se assustar. E com razão. 

Mas o que dizer das praias catarinenses? Ninguém tem dúvida de que são mais belas do que as sulinas. Convidativas ao banho, charmosas, recortadas. Não, não há como competir. 

Isso não significa que o litoral de Santa Catarina seja desprovido de problemas. E eles são, para muita gente, bem piores do que os perrengues típicos do litoral gaúcho com suas ondas cor de chocolate. 

Marcos Piangers: vento no Litoral

A primeira adversidade já aparece na estrada. Basta acessar a BR-101 rumo a Florianópolis para deparar com os efeitos colaterais de obras intermináveis e assar dentro do carro em congestionamentos quilométricos em Laguna. A novela da ponte se estende por anos a fio, e ninguém garante que a estrutura realmente será inaugurada em maio – pessoalmente, só acredito vendo. 



Quando a gente finalmente consegue chegar ao destino, enfileiram-se contratempos: trânsito opressivo, falta de estrutura, preços inflacionados, poluição. Na primeira praia, Passo de Torres, a água do mar é rejeitada por muitos banhistas, que preferem atravessar a ponte para se banhar em Torres. Mais acima no mapa, em Garopaba, as torneiras secaram no fim do ano devido ao inchaço da cidade, outrora habitada apenas por pescadores, surfistas e hippies. 


Após texto polêmico, Piangers recebe ameaças e explica opinião sobre litoral gaúcho

Perto dali, em Balneário Camboriú, a faixa de areia que já é diminuta por causa do calçadão (em uma tentativa de imitar Copacabana) fica na penumbra no meio da tarde. Motivo? Os espigões que perfilam a baía formam um paredão de concreto que desafia o sol. A vantagem – e isto é uma piada – é que os banhistas economizam no protetor solar. 

Para completar, até em Bombinhas, aquele paraíso na terra, passou a ser necessário pagar pedágio para poder desfrutar as belezas naturais – e garantir que sigam existindo. 

Tudo isso é para dizer que, afinal de contas, a perfeição não existe. Se a nossa costa é cheia de inconvenientes (e de fato é), o litoral vizinho também tem lá os seus “horrores”. Cada um que escolha sua praia.

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