TICIANO OSÓRIO
ticiano.osorio@zerohora.com.br
Editor de Zero Hora
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Para que servem os seguranças nos estacionamentos de shopping?
Eu já me fazia essa pergunta nos tempos pré-sensores _ por que eles não ajudam os motoristas a encontrar uma vaga? Ingenuamente, achava que uns circulavam de moto porque tinham essa atribuição. Agora que a maioria dos estabelecimentos dispõem das luzinhas verdes e vermelhas, eles estão definitivamente liberados do espírito comunitário. Podem se concentrar em fiscalizar as garagens.
Mas três cenas recentes recolocaram em xeque, para mim, a função dos seguranças.
Cena 1: enquanto minha mulher e eu buscávamos vaga, um carro passou pela direita em velocidade bem superior à permitida _ é por isso que nunca desgrudo da mão da nossa filha mais velha em um estacionamento. Não vi segurança algum repreender o condutor do veículo.
Cena 2: flagrei uma caminhonete ocupando não duas, nem três, mas quatro vagas. Deve dar uma vertigem de poder, sei lá, um lance a la War (“seu objetivo é ter 24 territórios com pelo menos dois exércitos em cada um deles”).
Cena 3: estávamos saindo do estacionamento quando um carro apareceu à frente. Minha mulher achou que ela estava na contramão _ mas o outro veículo entrara pela rampa da saída. Chamamos o segurança por perto, ele confirmou a imprudência, mas não foi falar com o infrator, nem o impediu de seguir na sua manobra.
Que coisa.
Minha indignação, porém, logo foi substituída por uma reflexão. Cometi um pecado clássico: o de esperar demais da figura da autoridade e fazer de menos. Estamos sempre transferindo responsabilidades: o professor é quem tem de educar nossos filhos, o síndico é quem tem de resolver os problemas do prédio, o prefeito é quem tem de manter a cidade limpa. Não cumpri meu papel de cidadão, que seria de descer do carro e conversar com o cara na contramão, orientá-lo, alertá-lo do perigo de sua atitude.
Minha reflexão, porém, logo foi substituída por uma recordação. Meu pai me ensinou que, para medir o grau de estupidez de um homem, basta colocá-lo atrás de um volante. Sinto como se estivéssemos cercados por estúpidos, que atravessam cruzamentos no sinal vermelho, não param para pedestres na faixa de segurança, ultrapassam onde é proibido, dirigem mesmo quando embriagados, xingam e brigam por qualquer motivo. Daí que me recolhi à covardia: você nunca sabe qual será a reação de alguém confrontado no trânsito. E me compadeci dos seguranças nos estacionamentos de shopping _ imagine com o que eles devem lidar diariamente.
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