terça-feira, 2 de setembro de 2014

" Racismo, Hipocrisia e Demagogia "

Artigo ZH

SÉRGIO DA COSTA FRANCO



Historiador
Multidões são universalmente irracionais, violentas e inconsequentes. Quanto às multidões que lotam os estádios de futebol, é inevitável que, além de exacerbadas pela disputa esportiva e não controladas por qualquer poder superior ou liderança emotiva, assumam atitudes agressivas e desumanas. Ninguém jamais as controlará.
 
Por isso, despertam-me até indignação as manifestações que têm surgido nos veículos de comunicação, de sumária condenação (e até diria linchamento) de uma parcela reduzida da torcida gremista, que ofendeu o goleiro Aranha, do Santos F.C. Esclareça-se que “Aranha” é apelido ostentado por aquele atleta desde a Baixada Santista, decerto em razão de alguma similitude descoberta pelos seus conterrâneos, não inventada nas arquibancadas da Arena do Grêmio. As torcidas de futebol são criativas na aplicação de alcunhas, algumas amistosas, outras francamente agressivas, dependendo do grau de estima ou desestima do jogador.
 
 A injúria aos participantes do prélio esportivo é algo entranhado nas tradições do futebol e que tanto atinge os próprios atletas em campo quanto a comissão técnica, os “bandeirinhas” e suas mamães.
e não só a discriminação racial,mas de etnias...o quanto nós,os Brasileiros não somos CORDIAIS,tampouco FRATERNAIS,com humanos de outro País.
Discriminar é CRIME.
O epíteto de “burro” acompanha inevitavelmente os treinadores. As mães dos árbitros devem adaptar-se a uma ladainha de insultos, às vezes gritados em coro e em geral tolerados com alguma bonomia.

Xingar o árbitro da partida é permitido, salvo se ele tiver um bisavô na África. Xingar a mãe do árbitro é admissível… Mas agora, em nome da hipocrisia do “politicamente correto”, pretende-se bloquear os afrodescendentes contra qualquer hostilidade verbal, mesmo quando a provoquem. “Negrão”, só com licença do próprio. E não duvido que criminalizem até o carinhoso “neguinho”, que é apelativo usual entre brancos afetuosos.

 

Contra injúrias, todos temos direito a proteção legal, mediante queixa… se e quando a identificação do ofensor se tornar possível. Mas, na imprensa do Rio e de São Paulo, pretende-se crucificar o Grêmio e o próprio Rio Grande do Sul como racistas, por causa de manifestações incontroláveis. Como se no Rio e em São Paulo não houvesse práticas similares. E agora me contam que uma das moças da torcida gremista perdeu até o emprego em função da campanha demagógica. Suprema injustiça!


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