terça-feira, 18 de agosto de 2015

" Palavra Empenhada "

Editorial Zero Hora


A política, desqualificada pela sucessão de desmandos, ainda preserva, nas mais variadas circunstâncias, a virtude da coerência com o compromisso assumido. É esse o caso da postura de parlamentares da base de apoio ao governo Sartori que não aceitam o apelo do chefe do Executivo pela aprovação do projeto de elevação do ICMS. Os que resistem à solução aparentemente mais fácil argumentam com a posição assumida durante a campanha eleitoral.
Iotti: Supercola. Veja todas as charges de Iotti em http://t.co/LSPBm5bsgp #HojeemZH

 O próprio governador declarou publicamente, como candidato, que o aumento de tributos não estava na pauta de seu projeto de governo, apesar de não desconhecer a grave situação das finanças do Estado.
A alegação de que a realidade era pior do que a percebida durante a campanha não deveria sustentar mudança tão drástica de posição, sob pena de comprometer convicções que teriam durado menos de um ano. Um pretendente ao Piratini, que se dizia bem informado sobre o quadro geral do Estado, não pode transmitir agora a sensação de que foi traído por uma avaliação apressada ou incompleta das contas públicas. Compreende-se, em meio a essa reviravolta de posição, o estranhamento de parte da base de apoio ao governador, que estaria sendo impelida a apoiar o que sempre rejeitou.
É visível o constrangimento dos que terão, no parlamento, a última palavra sobre a proposta do Executivo. Repete-se o conflito enfrentado por outros governantes, que também manifestaram desprezo pelo aumento da carga tributária e depois andaram na direção contrária. O governador poderia contornar a tentação da saída mais cômoda e dedicar-se a soluções estruturais, que corrijam desequilíbrios históricos sem a transferência automática do ônus de ser governo a todos os contribuintes.

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