Artigo Zero Hora
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LUIS FELIPE NASCIMENTO
Professor na Escola de Administração da UFRGS
Professor na Escola de Administração da UFRGS
No sítio do José havia uma cascata onde corria água em abundância. Ele abastecia a casa e irrigava a horta. Produzia verduras para vender na cidade. Quando veio uma seca, a cascata secou
e José teve que buscar água num açude distante. Para compensar o aumento dos custos, ele aumentou o preço das verduras, e a consequência foi a redução das vendas.
José percebeu que iria quebrar e então foi na cidade em busca de soluções.
Ficou surpreso quando soube que a cidade estava racionando a água, embora 37% da água coletada fosse desperdiçada. Contaram a ele que pouquíssimos prédios armazenavam a água da chuva. José resolveu pesquisar e ficou espantado quando leu num relatório da ONU que 72% da água disponível no Brasil é utilizada na irrigação de lavouras. A indústria é responsável por 22% e o consumo humano utiliza penas 6%. Portanto, se as lavouras do mundo reduzissem em 10% o uso da água, daria para dobrar o abastecimento da população mundial.
Ficou surpreso quando soube que a cidade estava racionando a água, embora 37% da água coletada fosse desperdiçada. Contaram a ele que pouquíssimos prédios armazenavam a água da chuva. José resolveu pesquisar e ficou espantado quando leu num relatório da ONU que 72% da água disponível no Brasil é utilizada na irrigação de lavouras. A indústria é responsável por 22% e o consumo humano utiliza penas 6%. Portanto, se as lavouras do mundo reduzissem em 10% o uso da água, daria para dobrar o abastecimento da população mundial.
José conheceu o conceito de “pegada hídrica” e o significado de “água invisível”, aquela que está embutida nos produtos. Por exemplo, são utilizados 15,5 mil litros de água para produzir um quilo de carne bovina e 11 mil litros para produzir uma calça jeans. José se perguntou: “Por que o foco das atenções está em 6% do consumo?”. Ele sabe que as lavouras estão longe das cidades, mas mesmo assim elas disputam a água dos rios com as cidades.
De volta ao sítio, José construiu um açude, uma cisterna e otimizou o consumo de água na casa e na horta. Conseguiu uma certificação de baixo consumo de água na sua horta. Ele reduziu o consumo de água e aumentou seus lucros. Hoje no sítio não existe mais esgoto nem lixo, tudo é reaproveitado.
Perguntaram a José, se fosse ele o prefeito, o que faria? Ele disse: “Em 10 anos, todos os prédios teriam que recolher, tratar e reutilizar parte da água que consomem. Reduzindo umas garagens, terá espaço para os reservatórios de água. Ah! Também faria uma campanha para que os consumidores valorizassem a pegada hídrica dos produtos. Se os consumidores cobrarem, a indústria e as lavouras vão reduzir o uso da água”.
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