quarta-feira, 2 de setembro de 2015

" Seiscentos é piada "

Artigo Zero Hora

CHRISTOPHER GOULART
Advogado, primeiro suplente de Senador (PDT-RS)
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Gosto de títulos chamativos com intenção de despertar a atenção do leitor. Meus textos normalmente surgem dessa forma, inspirados em algum fato que cause indignação para ser compartilhada, propondo alternativas. Estarrecido com o depósito de R$ 600 para os servidores do Poder Executivo, não encontrei outro título diferente do que precede este texto, considerando o absurdo que ocorre no nosso Rio Grande do Sul.
As enormes dificuldades financeiras do Estado são já conhecidas exaustivamente. Da mesma forma, está claro o entendimento de que a crise é conjuntural, e não serão medidas pontuais que reconduzirão o Rio Grande novamente para um caminho de prosperidade. Independentemente de quando ou quem originou a crise, percebe-se a urgência necessária de solidariedade para sua solução. Receio que a indiferença jamais será o caminho para reordenar as finanças públicas.

O momento remete à lembrança de um conhecido ditado popular, ouvido reiteradamente no decorrer de nossas vidas. Diz ele: “Não se tapa o sol com a peneira”. Dito isto, pergunto: que justiça é essa que joga no colo dos servidores do Poder Executivo (policiais, professores…) a conta da dívida do Rio Grande do Sul, enquanto os demais poderes seguem insensíveis ao drama destes trabalhadores essenciais!? Solidariedade na crise significa, por exemplo, o parcelamento de todos os salários dos poderes, lembrando, poder Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas, Advocacia Geral do Estado e Defensoria Pública. Significa uma união de todos estes mesmos poderes, juntamente ao Executivo, para determinar que juros de nenhuma espécie sejam cobrados, ao menos enquanto a crise durar. Agiotagem neste contexto não é admissível. Acredito na superação em tempos de adversidades.
Eu sei, muitos comentarão sobre utopia ao ler este artigo. Outros tantos, talvez, poderão pensar em “provocação” aos demais poderes. Sinceramente, utópico ou provocativo, nada temo quando sinto resguardo moral da justiça e do bom senso. Se o limite é apenas ventilar o assunto, através de texto em jornal com título chamativo, assim procedo dentro do respeito às instituições que sustentam a democracia. Devemos seguir atentos à necessidade de socializar o prejuízo de modo objetivo, não furtando-nos de prestar contribuições como cidadãos. A unidade de todos, de modelo para toda a terra, colocará novamente o Rio Grande nos trilhos da ordem e progresso.

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