Relator das contas de Dilma recebe ameaças de morte e já conta com escolta armada
O ministro Augusto Nardes pediu reforço na sua segurança ao TCU, à Polícia Federal e à Polícia Rodoviária. Ele recebia de dois a três mil e-mails com xingamentos por dia
Desde a noite desta terça-feira (15), o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Augusto Nardes, relator das contas da presidente Dilma Rousseff relativas a 2014, teve sua segurança reforçada. Ele vem recebendo ameaças e xingamentos por meio de e-mails, depois de pedir esclarecimentos à Presidência da República sobre as chamadas "pedaladas fiscais" praticadas no ano passado. A situação não estava preocupando o ministro até o recebimento de ameaças de morte em seu endereço pessoal na internet. Acionada por Nardes, a Polícia Federal ainda não decidiu, até a tarde desta quarta-feira (16), se abrirá inquérito.
O ministro vinha recebendo de dois a três mil mensagens eletrônicas por dia no seu e-mail de trabalho. Em muitas delas havia xingamentos, sempre relacionados ao voto de Nardes sobre as chamadas "pedaladas fiscais" e a respeito dos pedidos de esclarecimentos. Em outras, havia pedidos para que Nardes rejeitasse as contas do governo. Eram tantas as mensagens que o tribunal teve que deletar várias delas para não congestionar o sistema. A maior incidência ocorreu no mesmo período em que ele deu prazos ao Palácio do Planalto para apresentar sua defesa.
A preocupação maior do ministro surgiu na terça-feira, quando Nardes começou a receber entre 40 e 50 mensagens em seu e-mail pessoal. Nesse caso, já não se tratava apenas de xingamentos ou pedidos pela rejeição das contas da presidente Dilma, mas sim de ameaças contra a vida do magistrado e de seus familiares. Nardes acionou a secretaria-geral da presidência do TCU para que tomasse providências.
O TCU determinou que Nardes e seus familiares fossem acompanhados por uma escolta armada da própria instituição, quando o ministro se deslocar no Distrito Federal. A segurança na residência do magistrado também foi reforçada. Em suas viagens para outras regiões, ele requisitou a presença das Polícias Federal e Rodoviária Federal. No mesmo dia do recebimento das ameaças de morte, Nardes acionou o diretor-geral da PF, Leandro Daiello Coimbra. Até as 14h30 desta quarta-feira, a corporação ainda não havia decidido pela instauração de inquérito.
Relator
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Relator das contas da presidente Dilma Rousseff relativas a 2014, Nardes concedeu, em 12 de agosto, prazo de 15 dias para a Presidência da República explicar as "pedaladas fiscais" – pagamentos de despesas do governo com recursos de bancos oficiais – ocorridas no ano anterior. O governo argumentou que o mesmo procedimento havia sido adotado em anos anteriores sem a contestação do TCU.
Em 26 de agosto, o ministro relator solicitou novos esclarecimentos à Presidência da República, dessa vez sobre a abertura de créditos orçamentários no final de 2014, sem autorização do Congresso Nacional e com fontes duvidosas, como "superavit financeiro" e "excesso de arrecadação". O governo defendeu a legalidade das medidas e argumentou, mais uma vez, que procedimentos semelhantes haviam sido adotados em exercícios anteriores.
Em entrevista ao Fato Online, em 20 de agosto, Nardes afirmou que a soma das "pedaladas fiscais" e dos créditos suplementares chega a R$ 104 bilhões. O desequilíbrio das contas do governo levou a maioria dos ministros a concluir pela necessidade de rejeição das contas da presidente Dilma – uma decisão que deverá ser tomada oficialmente pelo plenário do tribunal somente no início de outubro.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou ao diretor-geral da Polícia Federal a “imediata abertura de inquérito policial para apuração rigorosa” de informações divulgados pela imprensa que informam que o ministro Nardes teria sofrido ameaças por meio de mensagens de e-mail.
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