quarta-feira, 4 de maio de 2016

" Um Deboche maquiado de benefício "

Iotti: a tempestade perfeita Iotti/Agencia RBS
Diogo Chamun,Presidente do Sescon - RS 

No Dia Internacional do Trabalho, a presidente da República anunciou com toda a pompa um reajuste de 5% para tabela de Imposto de Renda Pessoa Física, para vigorar a partir de janeiro de 2017.
Para quem não está a par da situação, parece uma boa notícia. Mas não é! Corrigir a tabela do IR é uma reivindicação corrente dos trabalhadores, muitos com salários baixos, mas que são obrigados a recolher o imposto.
Ocorre que a tabela já está defasada em 72%, desde 1996. E não foi reajustada em 2016, embora a inflação de 2015 tenha superado os dois dígitos. Pelos estudos do Projeto Gestão Pública Eficaz, do Sescon-RS, trabalhadores com vencimentos menores do que R$ 3.250 estariam isentos de recolher se a tabela fosse simplesmente corrigida pela inflação. Mas isso não ocorre. A sangria é histórica.
Agora, o governo federal sinaliza um índice menor do que a estimativa de inflação para este ano, que hoje é superior a 7%. Um claro deboche aos nossos trabalhadores (assalariados, autônomos e empresários).
Nossos estudos também apontam que no ano de 2014 o governo arrecadou R$ 37,8 bilhões só com a defasagem. Esse valor é equivalente ao que se estima arrecadar com a volta da CPMF (outra aberração!).
Mas os efeitos devastadores não param por aí! Em 2014, foram cerca de 410 mil assalariados (pessoas com salários menores) que contribuíram para o IR indevidamente. Isso fez o governo arrecadar R$ 1,6 bilhão só pela diferença da inflação do ano. O valor pago a mais pelo cidadão significa menos consumo, trabalho, renda e, acreditem, impostos!
Para ilustrar essa situação, com o salário isento de IR em 1996, comprávamos 1.436 litros de gasolina e 11,8 cestas básicas em Porto Alegre. Porém, com o limite de isenção atual, compramos apenas 500 litros de gasolina e 4,5 cestas básicas.
A solução passa por enxugar a máquina pública! É acabar com cabides de emprego nos órgãos. É deixar de gastar cerca de R$ 1 milhão mensal por gabinete de deputado estadual, federal ou senador. É trabalhar numa melhor gestão e não na criação de receitas arcadas pelo trabalhador. Porque onerar ainda mais é continuar debochando do cidadão brasileiro!

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