quarta-feira, 16 de março de 2016

" Triste Fim de Luiz Inácio "

Artigo Zero Hora < Clei Moraes,analista político >
Triste fim de Policarpo Quaresma é obra de Lima Barreto. Originada em folhetins, foi publicada em livro em 1915. Na narrativa, seu tragicômico protagonista é considerado louco devido ao nacionalismo exacerbado, exila-se em um sítio e é condenado à morte por traição à pátria.
A trajetória da personagem tem semelhança lúgubre com o caminho percorrido pelo acuado ex-presidente Lula. Não é a única. Bravatas e ufanismo, em seu caso, também serviram de combustível para levar às ruas milhões de brasileiros indignados com aquilo que o discurso maniqueísta impede de enxergar: o fracasso do governo e a corrupção que o assola.
Mas talvez essa identificação (com Policarpo Quaresma) não pertença aos sonhos que Lula busca em seu final de carreira. Animal político, quer dar a volta por cima e ser o "Cavaleiro da Esperança", liderando uma "coluna" de asseclas que romperá com a parcela dos insatisfeitos e com o "golpe" da elite branca dominante.
Quiçá seja esse seu anseio: ao se assumir Prestes e a ocupar um ministério, tentar orquestrar a quinta-coluna, a outra parcela dos brasileiros e do governo ao qual ainda influencia e conduz. Contudo, poderá chegar à conclusão que — de dentro, sob novo telhado de vidro —, ninguém assistirá ao formidável enterro de sua última quimera.
Nunca saberemos se fará parte do governo por temor de não ter foro privilegiado para escapar de inquéritos que o assombram ou se por essa vontade que lhe caracteriza como salvador messiânico da população. Mas, se sim, por que não o fez antes, no momento em que assistia o país e sua capitã naufragarem?
Não há uma resposta, apenas a certeza de que Lula levará consigo um pouco daquilo que lhe conduziu à presidência: a esperança que venceu o medo e que cobrou a conta da corrupção intrincada do menor ao mais alto escalão de partidos e governos.
Mais que isso, enquanto ocupar funções de líder político e econômico, participando por dentro do governo, Lula imporá ao país e a Dilma a figura da rainha da Inglaterra, ao passo que as manifestações continuarão par e passo com processos judiciais que continuam em curso.
Por fim, lembrando a referência do início do texto, Policarpo Quaresma morre na prisão.

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