Por Carolina Bahia RBS - Brasília
O estrago está feito.
O governo Dilma Rousseff passa por um dos piores momentos da crise aguda que já completa 15 meses.
O mundo político em Brasília teme o potencial explosivo da delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS). Ele não é um político qualquer.
Quando foi preso na Lava-Jato, o petista era líder do governo no Senado, homem de confiança de Dilma, confidente do ex-presidente Lula, amigo de deputados e senadores de diferentes partidos.
Depois de quase três meses de prisão, sentindo-se abandonado pelos companheiros, Delcídio fechou acordo e delatou.
Em nota, o senador não confirma ou reconhece os documentos da reportagem da revista IstoÉ. O senador teria acusado Dilma e Lula de tentarem interferir na Lava-Jato.
A reação do Planalto foi quase desesperada. Os ministros José Eduardo Cardozo (AGU) e Jaques Wagner (Casa Civil) passaram a desqualificar Delcídio, enquanto o palácio reuniu documentos para rebater acusações, como a responsabilidade de Dilma na compra da refinaria de Pasadena.
Há meses, ministros passam mais tempo defendendo Dilma e Lula do que se dedicando a combater a crise econômica e a paralisia da Esplanada.
Uma situação que volta a alimentar a discussão do impeachment – que estava adormecida na Câmara – e os movimentos contrários ao governo que preparam nova manifestação no dia 13 de março. Enquanto o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) vira réu, a operação se volta cada vez mais para o núcleo político e chega muito perto do governo e do PT.
DIPP DESISTE
Alegando motivos de foro íntimo, o ex-ministro do STJ Gilson Dipp não é mais advogado de Delcídio Amaral no Conselho de Ética no Senado. O jurista gaúcho foi surpreendido pela notícia da delação premiada do petista.
DESLAVADA
Citado por Delcídio na delação, de acordo com a revista IstoÉ, o deputado Marco Maia (PT-RS) nega envolvimento com irregularidades. O senador teria dito que ele cobrou para que empresários fossem liberados de comparecer à CPI da Petrobras.
– É uma mentira deslavada.
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