Editoriais Zero Hora
Não passa dia sem que surja uma nova notícia a respeito das relações promíscuas entre o ex-presidente Lula e empresas investigadas pela Operação Lava-Jato, mais especificamente a empreiteira que financiou e mobiliou imóveis frequentados pela família do petista.
São tão evidentes os indícios de benefícios concedidos pela empresa aos familiares do ex-presidente, que o Ministério Público de São Paulo já intimou o casal Lula da Silva para prestar esclarecimentos.
No mesmo rumo está a investigação do Ministério Público Federal que apura lavagem de dinheiro ilícito na venda de apartamentos num condomínio paulista.
Cabe a Lula, que recentemente fez uma exaltação pública da própria honestidade, esclarecer as suspeitas. Apesar das evidências, não devem ser feitos pré-julgamentos do ex-presidente, nem para acusar, nem para inocentar. Mas a investigação deixa claro para os brasileiros que o esquema montado por grandes empresas para conquistar contratos com o governo envolveu, durante anos e por sucessivas administrações, o pagamento de benefícios e presentes imorais aos políticos com poder decisório. O cerco a Lula pode ser interpretado também como um esforço das instituições judiciais comprometidas com a integridade para desmontar esse esquema delituoso que tanto mal causa ao país.
A expressão popular "não existe almoço grátis", que serviu de título para um livro do economista norte-americano Milton Friedman, deveria ser observada por políticos, governantes e servidores públicos.
Mais do que outros cidadãos, eles têm que se vacinar contra a ganância e os interesses escusos de predadores que se aproximam do poder para obter vantagens.
A corrupção na máquina pública só ocorre quando existe uma parceria entre a má-fé e a prevaricação. É essa estrutura viciada que as investigações da Operação Lava-Jato tentam desmontar.
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