sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

" A Crise do petróleo é nossa " o BRASIL pareceu mais PODRE do que se imaginava...

VINICIUS TORRES FREIRE

      FOLHA DE SP - 14/01

O Brasil pareceu mais podre do que se imaginava quando ficou mais visível o tamanho da roubança na Petrobras, quando a maior empresa do Brasil se passou ao vexame ruinoso de nem publicar balanço, em novembro de 2014. Há o risco de nova rodada de descrédito grave da petroleira e do Brasil, por tabela.

Fonte: El País Brasil * o jornal 

É impossível separar o ex-presidente Lula do caso que sacode aPetrobras e das sequelas que os escândalos estão causando. Como um editorial desse jornal escreveu, Lula havia identificado a Petrobras com o Brasil, com seu futuro de prosperidade, com o orgulho da petrolífera, então invejada pelo resto do mundo.
Estão aí as imagens de Lula com as mãos manchadas de óleo, vestido com o uniforme da Petrobras, lançando uma imagem de ilusão ao país.
Hoje, tanto Lula como a presidenta Dilma Rousseff estão na boca de todos como os principais responsáveis do bem e do mal da Petrobras. Um magistrado do Supremo chegou a dizer que, comparado com esse novo escândalo, o do mensalão poderia ser objeto de um simples caso das “pequenas causas”.
Dilma já falou. Assegurou que seu governo não colocará obstáculos às investigações judiciais, algo óbvio, porque fazê-lo seria um crime.
Ela assegurou que “não deixará pedra sobre pedra” na busca dos supostos corruptos que atuavam como uma máfia dentro da maior empresa do país, e que se hoje esses “desvios de conduta” são conhecidos, e é melhor chamá-los de crimes contra o patrimônio nacional, é porque nunca a Polícia Federal foi tão atuante na busca pelos culpados.
O problema, entretanto, é que os brasileiros desejariam saber da Presidenta recém eleita nas urnas se ela sabia ou não, quanto sabia e desde quando, do que se tramava em uma empresa da qual ela esteve sempre tão próxima e responsável por conta dos cargos nela exercidos.
Após as últimas denúncias da imprensa de que ela e Lula haviam sido avisados, anos atrás, de que havia algo de podre na Petrobras, que estava sendo saqueada por diretores e gerentes nomeados por ela e Lula, é urgente, que tanto a Presidenta como o ex-presidente, falem com sinceridade à nação, se for necessário para reconhecer culpas e apresentar uma proposta de ajuste.
E sobretudo Lula deveria falar, ele que foi o grande impulsor da petrolífera apresentando-a ao mundo como exemplo de empresa nacional bem sucedida e que deu a Dilma grandes responsabilidades sobre ela.
Lula agiu dessa forma quando estourou o escândalo do mensalão. Na época, jurou à nação que não sabia daqueles abusos, que havia sido traído por alguns de seus companheiros de partido que acabaram na cadeia.


A venda da participação da Petrobras na petroquímica Braskem talvez seja inevitável, mas é um sinal de desespero. Sem outras providências, trata-se apenas de remendo. Nessa liquidação, a petroleira pode fazer dinheiro equivalente a 1% de sua dívida. Vai vender um negócio neste momento de grande xepa da Bolsa brasileira, aliás participação em uma empresa tecnicamente boa.

Assim, a Petrobras se vira para fechar suas contas até 2017, por aí, como que esperando que passe a tempestade, que as coisas se ajeitem, que a empresa ganhe na Mega Sena, talvez.

O que seria a Mega Sena da petroleira? Dólar em baixa, preços de petróleo em alta, uma ainda mais sobrenatural melhoria do crédito do Brasil, com o que a Petrobras poderia refinanciar sua dívida em melhores condições ou, em caso de milagre dos bons, atrair capital privado.

Caso não ganhe na loteria, o que sobra? Não vai sobrar muito mais o que vender daqui a uns dois anos. Restaria uma capitalização por meio do governo (o governo compra mais ações ou faz alguma gambiarra financeira para colocar dinheiro na empresa). O governo, porém, não tem dinheiro.

O que mais? Demissões, cortes violentos nos custos operacionais. No mais, seria necessário tirar todas as travas de intervenção do governo que fazem a empresa ainda gastar mais do que pode.

A empresa não vai fazer muito mais dinheiro. A produção não vai aumentar tão cedo. Aliás, não se sabe bem como não vai cair, pois haverá corte no investimento justamente na produção.

Os problemas não param por aí. Nunca se sabe se a Lava Jato vai revelar mais imundícies da gangue de chupins. Pior ainda, muito pior, a Petrobras está sendo processada nos EUA. Pode ser condenada a penas pesadíssimas em dinheiro, pode até sofrer limitações operacionais que jogariam seu crédito no lago de chorume do lixão onde já está.

A desgraça da empresa teria ainda consequências para a economia brasileira, diretas e indiretas: no custo do crédito, nas perspectivas de recuperação do investimento, em mais desconfiança de que o governo pode vir a fazer novas lambanças a fim de tentar arrumar a Petrobras.

É preciso ressaltar que a derrocada da petroleira foi um dos motivos do tombo abrupto do país.

O crédito da empresa rolou para o lixo no final de 2014, na ribanceira em que já estava desde o início daquele ano eleitoreiro. A empresa já estava visivelmente no bico do corvo desde fevereiro, quando publicou seu balanço do ano anterior. A ruína financeira estava clara —a exposição dos danos apenas ficou maior, com as revelações da Lava Jato.

O crédito das empresas brasileiras, na prática o custo de tomar dinheiro emprestado, degradou-se quase no mesmo ritmo em que baixava o da Petrobras. Mesmo diante do desastre evidente, Dilma Rousseff não tomou atitude alguma até fevereiro de 2015. A presidente jamais entendeu o que é descrédito e o custo disso. Não há notícia de que tenha aprendido.

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