sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

" Quando faltam as palavras "



Tenha coragem, presidente 

Se não vai à Arena Condá prestar solidariedade aos familiares dos mortos,  convém que Michel Temer nem perca tempo voando até Chapecó


 

02 de dezembro de 2016 
TRAGÈDIA NA COLÔMBIA



Dentro do túnel do estádio Atanasio Girardot, eu lia uma a uma as faixas depositadas com as coroas de flores no chão de cimento. Na linha com Porto Alegre, ao vivo com Luciano Périco e Cléber Grabauska, descrevia aos ouvintes da Rádio Gaúcha as instituições que prestavam homenagem aos mortos na tragédia da Chapecoense: Conmebol, prefeitura de Medellín, força aérea colombiana… 

Havia planejado subir a escada que conduz ao gramado, contando o número de degraus. Era quase como uma homenagem aos atletas da Chapecoense, que não poderiam, nunca mais, fazer aquilo. Queria descrever essa sensação no meu boletim.

E assim o fiz, contando ao vivo: um, dois, três, quatro… 20 degraus. Na minha cabeça, imaginava como deve ser a emoção de um jogador de futebol ao entrar em campo. A arquibancada lotada, os gritos crescendo de volume, os refletores se agigantando diante dos seus olhos. Ainda mais em uma final da Sul-Americana…

Sim, fiz aquilo de contar os degraus um pouco pelo relato jornalístico. Mas também pelos jogadores da Chape. Quando vi a arquibancada toda vestida de branco, gritando: “Vamos, vamos, Chape”, 50 mil pessoas, torcedores ou não, amantes do futebol ou não, entoando de forma cadenciada um coro cada vez mais alto. Fui traído pela emoção. Chac… Chapo... Não conseguia pronunciar a palavra mais pronunciada nos últimos dias: CHAPECOENSE.

Estava ao vivo e tropeçando na palavra. Olhei para uma das faixas instaladas pela torcida atrás do local onde ficaria uma das goleiras: “Força, Chapecoense”. Mirei o nome do time e falei pausadamente: CHA-PE-CO-EN-SE. Agora, sim.

Para me recuperar do “branco”, pedi desculpa aos ouvintes. E recorri a um clichê que normalmente critico: “Não tenho palavras para descrever o que estamos sentindo”, disse ao Lucianinho e ao Cléber. “Ora, jornalistas vivem de descrever fatos, têm obrigação de ter palavras para fazê-lo”. Foi o que sempre pensei. Perdoem-me, mais uma vez, caros leitores: no Atanasio Girardot, não seria essa a única vez em que elas simplesmente não apareciam nas nossas bocas.

direto de Medellín (Colômbia) rodrigo.lopes@zerohora.com.br

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